Egito desqualifica candidatura dos três favoritos à presidência

No total, comissão rejeitou recursos de dez aspirantes à corrida eleitoral, e há temores de reação de partidários de salafista

iG São Paulo |

A Comissão Eleitoral do Egito rejeitou nesta terça-feira as apelações de dez aspirantes à presidência, incluindo os três candidatos vistos como favoritos na corrida para se tornar o primeiro líder eleito do país desde a queda de Hosni Mubarak , em 11 de fevereiro de 2011.

AP
Khairat el-Shater, candidato desqualificado da Irmandade Muçulmana, fala durante coletiva no Cairo, Egito
A desqualificação dos três diminui as chances de que um candidato islâmico vença a eleição, mas há preocupações de qual será a consequência da decisão, particularmente por causa dos partidários de um dos candidatos barrados, o islamita ultraconservador Hazem Abu Ismail.

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Cerca de 2 mil de seus partidários acamparam do lado de fora da sede da comissão desde segunda-feira, reivindicando que o candidato salafista tivesse permissão para concorrer. Quando a rejeição foi anunciada na noite desta terça-feira, alguns deles jogaram pedras contra as forças de segurança e entraram em breves confrontos com a polícia militar.

A decisão da comissão tira os principais candidatos da disputa - Omar Suleiman, o ex-vice e ex-chefe de espionagem da era Mubarak; Khairat el-Shater, o estrategista-chefe da Irmandade Muçulmana, e Abu Ismail, um advogado que se tornou um pregador conservador. O painel havia anunciado as desqualificações durante o fim de semana, chocando muitos no país. Cada um deles apresentou recursos, mas o painel rejeitou as apelações nesta terça-feira.

Suleiman foi desqualificado por não conseguir o número requerido de endossos públicos; el-Shater por uma condenação prévia de quase dez anos da era Mubarak que o desabilitava a exercer seus direitos políticos e civis; e Abu Ismail pelo fato de sua mãe ter tido cidadania americana pouco antes de morrer, em 2010. De acordo com uma nova lei aprovada depois do levante contra Mubarak, candidatos não se qualificam se seus companheiros ou parentes tiverem nacionalidade estrangeira.

Para o advogado de el-Shater, Abdel Monem Abdel Maqsud, a decisão da comissão foi "política" e "destrói os processos eleitorais". Em declarações à TV catariana Al Jazeera, ele considerou que "o governo ignorou as decisões da Justiça" pelo fato de seu cliente ter sido libertado no ano passado após o triunfo da revolução que derrubou Mubarak.

Shater pediu aos egípcios que "ocupem as ruas para proteger a revolução, que enfrenta um grande perigo", e "lutem contra qualquer fraude ou compra de votos que estão preparando".

Com os três fora, os principais candidatos devem ser o ex-chanceler Amr Moussa, o islamita moderado Abdel-Moneim Abolfotoh e o candidato reserva da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi. O primeiro turno da votação será realizado em 23 e 24 de maio.

Muitos questionaram a independência da comissão eleitoral, cujos membros são remanescentes da era Mubarak nomeados pela junta militar do país, que prometeu entregar o poder a um governo civil no fim de junho.

A redação da nova Constituição egípcia continua uma questão explosiva. Grupos liberais e seculares temem uma Carta demasiadamente islâmica , o Exército quer manter sua posição privilegiada e um painel formado pelo Parlamento foi suspenso. Os generais disseram durante o fim de semana que a Constituição deveria ser elaborada antes de um presidente ser eleito, levantando temores de que as eleições possam ser adiadas se um documento não ficar pronto a tempo.

Desde a revolta que derrubou Mubarak, o Egito vive uma turbulenta transição para a democracia, pontuada por espasmos de violência e por atrozes rivalidades entre grupos islâmicos antes proscritos, políticos laicos reformistas e remanescentes do regime anterior.

*Com AP, EFE, Reuters e AFP

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