Promotoria egípcia mostra vídeos para acusar Mubarak de massacre

Durante julgamento do ex-presidente, promotor-chefe diz que órgão confirma que líder foi cúmplice na morte de 800 manifestantes

iG São Paulo |

A Promotoria Geral do Egito apresentou nesta quarta-feira provas de que o ex-presidente Hosni Mubarak instigou o massacre de manifestantes durante as revoltas que o derrubaram do poder que o uso da violência procedeu da polícia.

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AP
Ex-presidente egípcio, Hosni Mubarak, é levado dentro de uma van após o fim do julgamento em Cairo

Durante uma nova audiência do julgamento contra o ex-presidente, o promotor-chefe, Mustafa Suleiman, disse que o Ministério Público confimou que Mubarak, o ex-ministro do Interior, Habib al Adli e seus assessores foram cúmplices no assassinato de manifestantes durante os protestos que derrubaram o então presidente no dia 11 de fevereiro de 2011.

Entre as provas apresentadas, a Promotoria aponta que os acusados ofereceram armas aos oficiais e soldados da polícia para matar os manifestantes e aterrorizar os participantes dos protestos, segundo informou a agência oficial Mena.

Um dos advogados da acusação, Ashraf Atwa, disse que "a audiência de hoje foi uma grande surpresa para o povo egípcio, já que a Promotoria apresentou provas fortes contra os acusados, das quais não se pode duvidar".

Atwa detalhou que uma das provas apresentadas foi um vídeo com trechos de diferentes meios de comunicação ocidentais que mostra policiais disparando contra manifestantes e os atropelando com veículos militares.

Outras provas confirmam que as manifestações foram pacíficas e que os ferimentos sofridos por muitos revolucionários foram causados por armas e gás lacrimogêneo, o que demontra o uso da violência pelos policiais.

De acordo com Atwa, a Promotoria se queixou nesta quarta-feira que os diferentes departamentos do Estado não cooperaram durante as investigações e no período de recolhimento de informações sobre o que ocorreu na revolução.

O tribunal decidiu continuar nesta quinta-feira o julgamento, chamado no Egito de "o processo do século", em uma sessão na qual serão tratadas também as acusações relacionadas aos supostos casos de corrupção cometidos pelo antigo regime.

Mubarak é julgado também pelo suposto delito de corrupção, no qual divide o banco dos réus com seus filhos, Gamal e Alaa. O julgamento estava suspenso desde 30 de outubro por uma reivindicação dos advogados da acusação, que queriam excluir do processo os juízes do caso. O pedido foi negado em dezembro e o processo contra o ex-presidente foi retomado no dia 28 do mesmo mês.

Há dois dias, a corte decidiu concluir a fase probatória do processo e começar a ouvir as alegações da acusação e da defesa como último passo antes de ditar sentença.

Os atrasos frustraram muitos egípcios que esperavam por uma justiça rápida e clara contra Mubarak depois de sua deposição, seguida de 18 dias de revoltas nas ruas contra seu governo.

Muitos demonstraram temer que os generais que tomaram o poder depois de Mubarak - e que tinham posições no antigo regime - não tenham interesse em condená-lo, e as denúncias do promotor contra o líder teriam apenas a intenção de acalmar essas preocupações.

Na terça-feira, promotor-chefe fez uma severa avaliação do governo de Honsi Mubarak no tribunal do Egito nesta terça-feira, acusando o líder deposto de tirania e corrupção e acrescentando que ele devotou os últimos dez anos de suas três décadas no poder para garantir que seu filho iria sucedê-lo.

"Ele merece terminar na humilhação e indignidade: Do palácio presidencial à jaula dos réus e, então, às mais duras penas", disse Suleiman, cujos comentários de uma hora de duração hipnotizaram a audiência.

Com EFE e AP

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