Transgênicos se consolidam na alimentação humana

Tecnologia passou a fazer parte da mesa das pessoas nesta última década

Alessandro Greco, especial para o iG |

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Transgênicos: na última década o número de países que plantam sementes transgênicas quase dobrou
A tecnologia de inserir um gene de um ser vivo em outro, a transgenia, já está no mercado há exatos 28 anos. Foi em 1982 que o primeiro produto feito com base nela adentrou a casa dos consumidores. E não foi pela boca, mas pela veia com a comercialização da insulina humana, medicamento fundamental na vida dos diabéticos – até então ela era retirada do pâncreas de porcos e bois o que, algumas vezes, causava alergia.

De lá para cá, os transgênicos começaram a fazer parte da vida diária da população e atualmente estão presentes no sabão em pó, no tira-manchas de roupas, no visual da calça jeans desbotada, além de centenas de medicamentos, entre outros produtos. Foi, no entanto, na última década que a presença dos alimentos geneticamente modificados na mesa das pessoas decolou. Em 2000, havia 13 países plantando sementes transgênicas em todo mundo em uma área de 40 milhões de hectares. Em 2009, este número havia saltado para 25 países em uma área de 134 milhões de hectares basicamente de soja, milho, algodão e canola segundo dados do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA).

Os números de 2010, que são tradicionalmente anunciados em fevereiro pelo ISAAA, devem mostrar um crescimento acelerado por conta da aprovação em novembro de 2009 do arroz e do milho transgênico na China. O país é responsável por cerca de 30% de todo o arroz e 20% de todo o milho colhido no planeta. Os números poderiam ser maiores ainda segundo Ingo Potrykus do projeto Golden Rice Humanitarian, organização sem fins lucrativos, que juntamente com Peter Beyer, foi um dos criadores do arroz dourado. Esta variedade transgênica do grão produz o nutriente betacaroteno, essencial para a visão e que não está presente no arroz convencional.

Segundo Potrykus, as sementes geneticamente podem salvar milhões de vidas humanas se puderem se livrar do excesso de rigor na regulamentação. “A discriminação não é justificada cientificamente”, afirma ele no artigo intitulado “Regulamentação precisa passar por uma revolução”, publicado em 28 de julho na revista Nature. E continua: “A regulamentação existente demanda anos e anos de testes moleculares e bioquímicos de segurança embora diversas agências internacionais tenham verificado que as sementes geneticamente modificadas são benignas. Não houve casos substanciais de dano ao ambiente nem à saúde humana mesmo nos Estados Unidos, local em que a adoção desta tecnologia é muito grande. Enquanto isso uma planta criada pelo sistema tradicional, que também tem seu genoma modificado, não precisa de nenhum dado de segurança apenas necessita demonstrar que funciona tão bem quanto as outras existentes no mercado”.

No Brasil, o uso de alimentos transgênicos foi regulamentado pela Lei de Biossegurança em 2005. Desde então a plantação dessas culturas no país tem crescido rapidamente e, em 2009, o Brasil passou a ser o segundo país no mundo em área plantada dessas culturas com 21,4 milhões de hectares de soja, algodão e milho ficando atrás apenas dos Estados Unidos com 64 milhões.

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