Novas empresas brasileiras na década

Seja em commodities ou tecnologia, a década foi marcada pela consolidação de grandes grupos nacionais em diferentes setores

Patrick Cruz e Bruna Bessi, iG São Paulo |

Seja na produção de commodities ou em tecnologia, a década foi marcada pela consolidação de grandes grupos nacionais e seu avanço em diferentes áreas.

Greg Salibian/iG
David Neeleman na sede da Azul: terceira maior companhia aérea, em dois anos de mercado
Azul

Um empresário que já tinha feito sucesso na aviação norte-americana resolveu transportar a experiência também a seu país de nascimento. Em 2008, David Neeleman, filho de americanos nascido em São Paulo, lançou a Azul, atual terceira maior companhia aérea do País. Neeleman tem no currículo a criação da JetBlue, sucesso nos EUA com o modelo de companhia de baixo custo. Em apenas oito meses de operação, a Azul já tinha transportado um milhão de passageiros – e em novembro de 2010, antes dos dois anos de vida, o número chegou a seis milhões.

Agência Estado
BM&FBovespa atingiu este ano o posto de segunda maior bolsa do mundo

BM&FBovespa

Em 2008, a centenária Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), que tinha então 24 anos de vida, uniram suas operações. Assim nasceu a BM&FBovespa, outra das empresas brasileiras que se mostram um peso pesado mesmo na comparação com seus pares no exterior. Agora como uma companhia única, a BM&FBovespa atingiu em 2010 o posto de segunda maior bolsa do mundo em valor de mercado (em setembro, ela era avaliada em R$ 30,4 bilhões), acima de nomes como Nasdaq e Bolsa de Nova York.

Agência Estado
Brasil Foods é uma das maiores exportadoras do País. Na foto Luiz Fernando Furlan (ex-presidente do conselho da Sadia)

Brasil Foods

Perdigão e Sadia eram rivais mesmo quando as duas marcas não eram conhecidas em todo o País: a Perdigão surgiu em 1934 e a Sadia, dez anos depois, nas cidades de Videira e Concórdia, em Santa Catarina, respectivamente, distantes 130km uma da outra. Em 2009, as duas empresas se uniram sob a bandeira Brasil Foods. A junção ocorreu na esteira da perda bilionária que a Sadia teve em 2008 com operações cambiais mal-sucedidas. A Brasil Foods nasceu como o maior exportador mundial de carne de aves e uma das maiores exportadoras do País.

Agência Estado
Gol consagra-se como a segunda maior companhia aérea do País

Gol

A segunda maior companhia aérea do País na atualidade sequer existia há dez anos, e seus criadores entendiam mesmo era de ônibus. A Gol foi fundada por Nenê Constantino e por seu filho, Constantino de Oliveira Júnior, controladores do Grupo Áurea, conglomerado de empresas de ônibus do qual faz parte, entre outras, a União. A Gol fez seu primeiro voo em 2001, e seis anos depois comprou a Varig, que enfrentava sérios problemas financeiros. A novata assumiu a empresa que por décadas liderou o setor e tornou-se sinônimo de aviação no País.

Bloomberg /Getty Images
Criada em 2002, Oi tornou-se uma empresa de telefonia global

Oi

A Oi nasceu em 2002 para atuar como o braço de telefonia móvel da Telemar, empresa criada em 1998 durante o processo de privatização do sistema Telebrás. Telemar e Oi atuaram como marcas distintas do mesmo grupo até 2007, quando a Oi, maior empresa brasileira de telefonia, passou a ser a marca única. Em 2009, a Oi comprou a Brasil Telecom por R$ 5,4 bilhões, transação lhe permitiu a companhia atuar em todo o território nacional. Ao selar, em 2010, uma aliança com a Portugal Telecom, a Oi tornou-se uma empresa global. A Oi é controladora do iG.

Bloomberg /Getty Images
Uma em cada quatro cervejas consumidas no mundo é fabricada pela AB InBev

AB InBev

Uma em cada quatro cervejas consumidas no mundo é fabricada pela ABInBev, que tem sede na Bélgica. Ela surgiu em 2008, quando a InBev comprou a Anheuser–Busch. A InBev já era fruto de outra série de uniões: em 2004, a brasileira AmBev (nascida em 1999 da fusão entre Antarctica e Brahma) e a Interbrew (surgida em 1987, quando se uniram as belgas Artois e Piedbouef) já haviam combinado suas operações. Hoje, se o consumidor for a um bar e pedir uma Budweiser, uma Stella Artois ou uma Skol, vai beber uma cerveja da gigante com DNA brasileiro.

Reprodução
B2W é a maior empresa de comércio eletrônico da América Latina

B2W

Duas empresas que podem ser consideradas veteranas no comércio eletrônico brasileiro formaram nesta década uma nova gigante do setor. Ambas criadas em 1999, Submarino e Americanas.com (esta, derivada da rede Lojas Americanas, nascida em 1929) sobreviveram ao estouro da bolha das empresas pontocom, no início dos anos 2000, e anunciaram a união de suas operações em 2006. A B2W, resultado da fusão entre elas (e que congrega também outras operações, como o Shoptime), é a maior empresa de comércio eletrônico da América Latina.

Reprodução
Criada em 2009, Fibria é a maior produtora de celulose do mundo

Fibria

A primeira década do século XXI assistiu ao surgimento de um colosso com sangue brasileiro também no mercado de papel e celulose. Em 2009, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) fechou acordo para comprar a Aracruz – e da operação nasceu a Fibria. A VCP negociava a aquisição desde o ano anterior, quando a Aracruz registrou perdas bilionárias em operações com derivativos cambiais (instrumentos financeiros usados pelas empresas atrelados à variação cambial). A Fibria é a maior produtora de celulose do mundo.

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Hypermarcas

Fundada em 2002, a Hypermarcas tinha como seu principal produto a lã de aço Assolan, mas não dominava o mercado. A forte política de aquisições fez com que a empresa brasileira se tornasse uma das maiores detentoras de marcas do País. Com produtos em diversos segmentos, desde higiene até medicamentos, a empresa possui marcas como Risqué, Monange, Bozzano e Niasi. Em 2008 a Hypermarcas passou a ter ações negociadas no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Hoje, são mais de 18 fábricas distribuídas nos estados de Goiás, Santa Catarina e São Paulo.

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Grupo EBX

O Grupo EBX, criado na década de 80 pelo empresário Eike Batista, atua principalmente na área de infraestrutura. Cinco empresas integram o grupo e são listadas na BM&F Bovespa, sendo elas: MMX (mineração), LLX (terminais portuários, logística), MPX (energia), OGX (óleo e gás) e OSX (indústria naval). Criada em 2001, a MPX foi a primeira do grupo e possui direitos para retirar carvão na Colômbia e no sul do Brasil. A máquina de exploração mineral criada por Batista emprega mais de 20 mil pessoas em nove estados do País, já recebeu US$ 3,4 bilhões de investimentos até 2009 e tem planos de chegar em mais US$ 15 bilhões entre 2010 e 2012.

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