Crises econômicas, fraudes contábeis e má gestão levaram à lona alguns ícones do capitalismo internacional nos últimos anos

Fachada do prédio de escritórios da Arthur Andersen em Chicago (EUA)
Agência Estado
Fachada do prédio de escritórios da Arthur Andersen em Chicago (EUA)

Arthur Andersen

No início dos anos 2000, a Arthur Andersen era uma das “Big Five”, o grupo das cinco grandes empresas de auditoria financeira do mundo. A tradição da Andersen, fundada em 1913, no entanto, não evitou sua ruína. A empresa foi tragada pelo escândalo financeiro da distribuidora de energia Enron, da qual ela era auditora. O caso Enron foi o mais emblemático na série de escândalos financeiros que assolaram os EUA no começo da década. Sob a esteira desses episódios, foi criada a Lei Sarbanes-Oxley, nascida para tentar coibir fraudes contábeis.

Enron: da sétima posição do ranking das maiores empresas do mundo à ruína por fraude contábil
Getty Images
Enron: da sétima posição do ranking das maiores empresas do mundo à ruína por fraude contábil

Enron

Criada em 1985, a distribuidora de energia Enron superou em 2000 a incrível marca de US$ 100 bilhões em receita, o que a colocou na sétima posição do ranking das 500 maiores empresas do mundo elaborado pela revista Fortune. No ano seguinte, no entanto, a Enron ruiu. De acordo com declarações dos promotores que se debruçaram sobre o caso, a Enron utilizou “truques contábeis, ficção, abracadabra, trucagem, declarações enganosas, meias-verdades, omissões e mentiras deliberadas” em uma série de fraudes que inflou os lucros da companhia.

ISL, subsidiária da ISMM, prestou serviços à Fifa por quase duas décadas
AFP
ISL, subsidiária da ISMM, prestou serviços à Fifa por quase duas décadas

ISL/ISMM

Por quase duas décadas, a agência de marketing prestou serviços à Fifa, a entidade que dita os rumos do futebol no mundo. A ISL, subsidiária da ISMM, que era responsável pela venda dos direitos de transmissão de competições da Fifa, quebrou em 2001 e deixou dívidas de US$ 300 milhões. A controversa quebra da ISL (nenhum dirigente da Fifa recebeu condenação, reitera a entidade; três executivos da ISL foram multados por fraude), respingou nas finanças de dois dos maiores clubes do Brasil: Grêmio e Flamengo tinham parceria com a agência.

Banco americano não conseguiu superar a crise financeira internacional de 2008
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Banco americano não conseguiu superar a crise financeira internacional de 2008

Lehman Brothers

O Lehman Brothers era o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos – e o mais antigo. Fundado em 1850, ele sobreviveu ao crash das bolsas de valores em 1929 e à Segunda-Feira Negra, como ficou conhecido o declínio vertiginoso dos mercados em 1987, mas não conseguiu passar incólume pela crise financeira internacional de 2008. A quebra do banco foi o momento mais emblemático das turbulências: o dia 15 de setembro de 2008, quando o Lehman pediu concordata, é considerado o marco zero da mais recente crise financeira global.

Crises financeiras e problemas com a expansão acabaram com Swissair
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Crises financeiras e problemas com a expansão acabaram com Swissair

Swissair

A tradicional companhia aérea suíça foi mais uma a sucumbir após os ataques terroristas nos EUA em 2001. Mas os atentados não foram o estopim da derrocada: a empresa já enfrentava dificuldades financeiras devido ao seu malogrado projeto de expansão, que elevou sua dívida e a fez ficar sem dinheiro até para abastecer os aviões. A história da companhia acabou em 2002 – e com a Swissair morreu um orgulho nacional dos suíços. Dos escombros da Swissair foi criada a Swiss International Air Lines, mas a nova empresa não tem relação com a antiga.

Bear Stearns foi a primeira grande vítima da crise americana do subprime
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Bear Stearns foi a primeira grande vítima da crise americana do subprime

Bear Stearns

Com perdas contábeis de US$ 854 milhões em 2007, o Bear Stearns - quinto maior banco de investimento dos Estados Unidos - foi a primeira grande vítima da crise americana do subprime. O aumento das dificuldades financeiras fez com que, em 14 de março de 2008, o banco recorresse ao Banco Central americano (Federal Reserve - Fed) para conseguir fundos de emergência. Entretanto, o socorro não veio e o Bear Stearns foi vendido ao JPMorgan por US$ 236 milhões.

Operadora de telefonia era responsável por metade do tráfego de e-mails do mundo
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Operadora de telefonia era responsável por metade do tráfego de e-mails do mundo

WorldCom

Em 21 de julho de 2002, a WorldCom, operadora de telefonia de longa distância e serviços de dados dos Estados Unidos, declarou o maior pedido de proteção contra falência da história. Ele aconteceu após a companhia revelar que contabilizou indevidamente US$ 7,68 bilhões em seus balanços. Alvo de auditorias, em 2004 a companhia reconheceu a fraude e decretou falência. Bernie Ebbers, presidente da empresa foi processado na justiça e absolvido após recorrer à sentença, e o diretor financeiro, Scott Sullivan, confessou a culpa e foi preso. A WorldCom era a segunda maior dos EUA e responsável por metade do tráfego de internet do país e tráfego de e-mails do mundo.

Com dívidas de US$ 160 milhões, AOL da América Latina decreta falência
Agência Estado
Com dívidas de US$ 160 milhões, AOL da América Latina decreta falência

AOL – América Latina

Em 2005 a AOLA (America Online Latin America), filial da AOL na América Latina, encaminhou à CVM americana um pedido de falência das subsidiárias. No pedido voluntário, a empresa alegou não ter condições de saldar suas dívidas, sendo o maior credor a Time Warner – que tinha direito a receber US$ 160 milhões. No ano seguinte, o portal Terra comprou a subsidiária AOL Brasil por cerca de U$ 1,9 milhão. Apesar do desfecho da AOLA, as demais empresas do grupo continuaram em funcionamento.

Virgin Megastore sentiu vendas caírem em 45% nos últimos oito anos
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Virgin Megastore sentiu vendas caírem em 45% nos últimos oito anos

Virgin Megastore

A Virgin Megastore, uma das mais conhecidas rede de lojas de música do mundo, fechou as portas de sua última loja em 2009. Com estréias de álbuns de bandas famosas, a loja mais famosa, na Broadway, em Nova York, já teve imensas filas de compradores. Entretanto, diante da concorrência cada vez mais crescente no mercado musical, a Virgin sentiu suas vendas caírem em 45% nos últimos oito anos. Nos tempos de sucesso, a poderosa Virgin chegou a ter 23 megalojas somente nos EUA.

Loehmann’s

Fundada em 1921, a Loehmann foi uma varejista americana especializada na venda de peças de vestuário, acessórios, sapatos e mobiliário de grife. Os produtos eram vendidos a preços geralmente 30% até 65% abaixo do oferecido em lojas de departamento. Após diversas compras e vendas da Loehmann's e dificuldades financeiras, em maio de 1999 foi declarada sua falência. Sete anos depois, uma empresa de private equity de Dubai comprou a varejista, mas os problemas continuaram e este ano pelo menos oito lojas foram fechadas e a falência novamente veio à tona.

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