Má gestão, fraudes e mudanças conjunturais fizeram com que empresas e instituições fechassem suas portas nos últimos anos

Dívidas da Boi Gordo somavam R$ 750 milhões no processo de falência
Agência Estado
Dívidas da Boi Gordo somavam R$ 750 milhões no processo de falência

Boi Gordo

A Fazendas Reunidas Boi Gordo, aberta em 1988, atraía investidores com a promessa de uma rentabilidade mínima de 42% em 18 meses, o tempo para a engorda dos bois – os animais seriam vendidos para dar o retorno aos aplicadores. Em 2001, ao pedir concordata, a Boi Gordo declarou ter 100 mil cabeças de gado, mas o número de animais no pasto deveria ser dez vezes maior. Os investidores fugiram em massa. Na quebra, as dívidas da empresa somavam R$ 750 milhões. Anos depois, um esquema de investimento parecido quebrou também a Avestruz Master.

Com dificuldades financeiras, Gazetal Mercantil passa a existir somente na internet
Reprodução
Com dificuldades financeiras, Gazetal Mercantil passa a existir somente na internet

Gazeta Mercantil

Às vésperas de seus 90 anos, a Gazeta Mercantil, um dos mais tradicionais jornais de economia do País, fechou suas portas. A publicação, que viveu seu auge entre as décadas de 1970 e 1980, entrou em dificuldades financeiras nos anos 1990. A última edição da Gazeta circulou em 2009, quando o diário era administrado pelo empresário Nelson Tanure – também controlador do Jornal do Brasil quando o centenário jornal carioca deixou de circular em papel para existir apenas na internet. Apenas as dívidas trabalhistas da Gazeta somam R$ 250 milhões.

Transbrasil foi uma das três maiores empresas aéreas do País
Agência Estado
Transbrasil foi uma das três maiores empresas aéreas do País

Transbrasil

Nascida em 1953 por iniciativa de Omar Fontana, filho de Attilio Fontana, fundador da Sadia, a empresa foi uma das três maiores empresas aéreas do País. Inicialmente, ela voou como Sadia; o nome Transbrasil surgiu em 1972. Em 2001, abatida por dívidas de R$ 1,5 bilhão, denúncias de desvio de dinheiro e uma briga judicial com a GE, que cobrava um débito que, segundo a Transbrasil, já havia sido pago, além da crise do setor aéreo seguida dos ataques terroristas nos EUA, a Transbrasil deixou de voar. Em 2002, sua falência foi decretada.

Ex-funcionários movimentam 15 mil processos contra a Vasp na Justiça
Agência Estado
Ex-funcionários movimentam 15 mil processos contra a Vasp na Justiça

Vasp

Exímia formadora de mão-de-obra para o setor aéreo, a Vasp, que chegou a ser a segunda maior companhia aérea do País, foi criada em 1933 e privatizada em 1990. Quando já estava nas mãos do empresário Wagner Canhedo, a empresa embrenhou-se em dívidas milionárias com bancos, funcionários, Infraero e Previdência Social. Ela deixou de voar em 2005; três anos depois, teve sua falência decretada. Há ainda 15 mil processos contra a empresa tramitando na Justiça, movidos por 7,5 mil ex-funcionários. Só a dívida trabalhista é de quase R$ 1 bilhão.

Presidente da Portuguesa, Pacheco, e o da Chapecó, Plínio Vicente, durante a apresentação da camisa do time
Agência Estado
Presidente da Portuguesa, Pacheco, e o da Chapecó, Plínio Vicente, durante a apresentação da camisa do time

Frigorífico Chapecó

Fundado em 1952, o grupo chegou a ser o quarto maior produtor nacional de frangos, suínos e derivados, mas começou a enfrentar dificuldades em 1996. As tentativas de reerguer a empresa contaram com o apoio do BNDES, do Banco do Brasil e do Banco Bozano Simonsen e incluíram a entrada do grupo argentino Macri para assumir seu controle. Não houve jeito. Em 2003, sem dinheiro, a Chapecó demitiu quase cinco mil funcionários e deixou de pagar fornecedores – por falta de milho, sete milhões de frangos morreram. A falência foi decretada em 2005.

Edemar Cid Ferreira, ex-presidente da instituição, teve bens confiscados
Agência Estado
Edemar Cid Ferreira, ex-presidente da instituição, teve bens confiscados

Banco Santos

Criado em 1996, o Banco Santos sofreu a intervenção do Banco Central por irregularidades em seu balanço financeiro e um rombo de R$ 2,2 bilhões. Sua falência foi decretada em setembro de 2005, entretanto, o processo de investigação teve inicio ainda em 2004. Diante do escândalo financeiro, os investidores fizeram saques em massa, deixando um déficit patrimonial de cerca de R$ 700 milhões. Durante as apurações o ex-presidente da instituição, Edemar Cid Ferreira, foi afastado e seus bens confiscados e adicionados à massa falida do Banco Santos.

Extinto banco deixou uma dívida de R$ 130 milhões no Banco Central
Agência Estado
Extinto banco deixou uma dívida de R$ 130 milhões no Banco Central

Banco Crefisul

As dificuldades financeiras enfrentadas pelo Banco Crefisul no final de 1998 impulsionaram sua derrocada no ano seguinte. A instituição do empresário Ricardo Mansur teve balanços “maquiados” e ações supervalorizadas do extinto Mappin (empresa que também teve Mansur como proprietário). Com falência decretada, o extinto banco deixou 398 funcionários e uma dívida de R$ 130 milhões no Banco Central. O empresário, apesar das falências e dos bens confiscados no Brasil, continuou mostrando sinais de riqueza.

Crise da Varig foi decisiva para o fim da Rio Sul
Agência Estado
Crise da Varig foi decisiva para o fim da Rio Sul

Rio Sul Linhas Aéreas

Criada em novembro de 1976 pela Varig e o Grupo Bradesco, a Rio Sul competia principalmente no sudeste do País. Com jatos operando nos aeroportos centrais e demanda crescente, a empresa alcançou o quinto lugar no ranking do mercado doméstico. Entretanto, a crise financeira da Varig foi decisiva para o fim da companhia. Em 2003 a Rio Sul teve sua vida “independente” encerrada, já que sua administração e operação foram fundidas com a Varig.

Monkey

A Monkey, primeira rede de lanhouse brasileira, encerrou suas atividades em abril deste ano. Fundada em 1998 pelo empresário Sunami Chun, a rede teve mais de 60 unidades pelo País entre lojas próprias e franqueadas. Os principais motivos apontados por Chun para a falência de seu negócio são o esgotamento do formato de entretenimento em rede nas lanhouses, a informalidade do segmento e a falta de segurança tanto na legislação quanto nas lojas.

Kolumbus

A rede varejistas de móveis populares Kolumbus fechou suas portas em 2007 e vendeu parte de suas lojas para o fundo de investimentos Safibel. A rede - que já teve mais de 50 unidades - terminou seus dias com uma dívida estimada em R$ 30 milhões. Durante o fechamento, mais de 900 funcionários foram demitidos. A forte concorrência com Casas Bahia e Marabraz e outros competidores foi apontada pela diretoria da Kolumbus como o principal motivo de sua falência.

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