As empresas brasileiras que decretaram falência na década

Má gestão, fraudes e mudanças conjunturais fizeram com que empresas e instituições fechassem suas portas nos últimos anos

Patrick Cruz e Bruna Bessi, iG São Paulo |

Agência Estado
Dívidas da Boi Gordo somavam R$ 750 milhões no processo de falência

Boi Gordo

A Fazendas Reunidas Boi Gordo, aberta em 1988, atraía investidores com a promessa de uma rentabilidade mínima de 42% em 18 meses, o tempo para a engorda dos bois – os animais seriam vendidos para dar o retorno aos aplicadores. Em 2001, ao pedir concordata, a Boi Gordo declarou ter 100 mil cabeças de gado, mas o número de animais no pasto deveria ser dez vezes maior. Os investidores fugiram em massa. Na quebra, as dívidas da empresa somavam R$ 750 milhões. Anos depois, um esquema de investimento parecido quebrou também a Avestruz Master.

Reprodução
Com dificuldades financeiras, Gazetal Mercantil passa a existir somente na internet

Gazeta Mercantil

Às vésperas de seus 90 anos, a Gazeta Mercantil, um dos mais tradicionais jornais de economia do País, fechou suas portas. A publicação, que viveu seu auge entre as décadas de 1970 e 1980, entrou em dificuldades financeiras nos anos 1990. A última edição da Gazeta circulou em 2009, quando o diário era administrado pelo empresário Nelson Tanure – também controlador do Jornal do Brasil quando o centenário jornal carioca deixou de circular em papel para existir apenas na internet. Apenas as dívidas trabalhistas da Gazeta somam R$ 250 milhões.

Agência Estado
Transbrasil foi uma das três maiores empresas aéreas do País

Transbrasil

Nascida em 1953 por iniciativa de Omar Fontana, filho de Attilio Fontana, fundador da Sadia, a empresa foi uma das três maiores empresas aéreas do País. Inicialmente, ela voou como Sadia; o nome Transbrasil surgiu em 1972. Em 2001, abatida por dívidas de R$ 1,5 bilhão, denúncias de desvio de dinheiro e uma briga judicial com a GE, que cobrava um débito que, segundo a Transbrasil, já havia sido pago, além da crise do setor aéreo seguida dos ataques terroristas nos EUA, a Transbrasil deixou de voar. Em 2002, sua falência foi decretada.

Agência Estado
Ex-funcionários movimentam 15 mil processos contra a Vasp na Justiça

Vasp

Exímia formadora de mão-de-obra para o setor aéreo, a Vasp, que chegou a ser a segunda maior companhia aérea do País, foi criada em 1933 e privatizada em 1990. Quando já estava nas mãos do empresário Wagner Canhedo, a empresa embrenhou-se em dívidas milionárias com bancos, funcionários, Infraero e Previdência Social. Ela deixou de voar em 2005; três anos depois, teve sua falência decretada. Há ainda 15 mil processos contra a empresa tramitando na Justiça, movidos por 7,5 mil ex-funcionários. Só a dívida trabalhista é de quase R$ 1 bilhão.

Agência Estado
Presidente da Portuguesa, Pacheco, e o da Chapecó, Plínio Vicente, durante a apresentação da camisa do time

Frigorífico Chapecó

Fundado em 1952, o grupo chegou a ser o quarto maior produtor nacional de frangos, suínos e derivados, mas começou a enfrentar dificuldades em 1996. As tentativas de reerguer a empresa contaram com o apoio do BNDES, do Banco do Brasil e do Banco Bozano Simonsen e incluíram a entrada do grupo argentino Macri para assumir seu controle. Não houve jeito. Em 2003, sem dinheiro, a Chapecó demitiu quase cinco mil funcionários e deixou de pagar fornecedores – por falta de milho, sete milhões de frangos morreram. A falência foi decretada em 2005.

Agência Estado
Edemar Cid Ferreira, ex-presidente da instituição, teve bens confiscados

Banco Santos

Criado em 1996, o Banco Santos sofreu a intervenção do Banco Central por irregularidades em seu balanço financeiro e um rombo de R$ 2,2 bilhões. Sua falência foi decretada em setembro de 2005, entretanto, o processo de investigação teve inicio ainda em 2004. Diante do escândalo financeiro, os investidores fizeram saques em massa, deixando um déficit patrimonial de cerca de R$ 700 milhões. Durante as apurações o ex-presidente da instituição, Edemar Cid Ferreira, foi afastado e seus bens confiscados e adicionados à massa falida do Banco Santos.

Agência Estado
Extinto banco deixou uma dívida de R$ 130 milhões no Banco Central

Banco Crefisul

As dificuldades financeiras enfrentadas pelo Banco Crefisul no final de 1998 impulsionaram sua derrocada no ano seguinte. A instituição do empresário Ricardo Mansur teve balanços “maquiados” e ações supervalorizadas do extinto Mappin (empresa que também teve Mansur como proprietário). Com falência decretada, o extinto banco deixou 398 funcionários e uma dívida de R$ 130 milhões no Banco Central. O empresário, apesar das falências e dos bens confiscados no Brasil, continuou mostrando sinais de riqueza.

Agência Estado
Crise da Varig foi decisiva para o fim da Rio Sul

Rio Sul Linhas Aéreas

Criada em novembro de 1976 pela Varig e o Grupo Bradesco, a Rio Sul competia principalmente no sudeste do País. Com jatos operando nos aeroportos centrais e demanda crescente, a empresa alcançou o quinto lugar no ranking do mercado doméstico. Entretanto, a crise financeira da Varig foi decisiva para o fim da companhia. Em 2003 a Rio Sul teve sua vida “independente” encerrada, já que sua administração e operação foram fundidas com a Varig.

Monkey

A Monkey, primeira rede de lanhouse brasileira, encerrou suas atividades em abril deste ano. Fundada em 1998 pelo empresário Sunami Chun, a rede teve mais de 60 unidades pelo País entre lojas próprias e franqueadas. Os principais motivos apontados por Chun para a falência de seu negócio são o esgotamento do formato de entretenimento em rede nas lanhouses, a informalidade do segmento e a falta de segurança tanto na legislação quanto nas lojas.

Kolumbus

A rede varejistas de móveis populares Kolumbus fechou suas portas em 2007 e vendeu parte de suas lojas para o fundo de investimentos Safibel. A rede - que já teve mais de 50 unidades - terminou seus dias com uma dívida estimada em R$ 30 milhões. Durante o fechamento, mais de 900 funcionários foram demitidos. A forte concorrência com Casas Bahia e Marabraz e outros competidores foi apontada pela diretoria da Kolumbus como o principal motivo de sua falência.

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