Refeições não devem ser substituídas por shakes

Refeições não devem ser substituídas por shakes Por Cristiana Vieira São Paulo, 29(AE) - Para muitas pessoas, é difícil resistir à tentação de perder peso rapidamente, conforme prometem os shakes, apresentados como substitutos das refeições. Esses "milagrosos" produtos estão ao alcance de todos que passam pelas gôndolas de farmácias e supermercados ou por lojas de produtos naturais.

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Refeições não devem ser substituídas por shakes Por Cristiana Vieira São Paulo, 29(AE) - Para muitas pessoas, é difícil resistir à tentação de perder peso rapidamente, conforme prometem os shakes, apresentados como substitutos das refeições. Esses "milagrosos" produtos estão ao alcance de todos que passam pelas gôndolas de farmácias e supermercados ou por lojas de produtos naturais. Geralmente, os consumidores trocam o café da manhã ou o jantar por esse alimento, na expectativa de eliminarem alguns quilos extras. A nutricionista, pesquisadora e doutoranda do Centro de Referência para Prevenção e Controle de Doenças Associadas à Nutrição, da Faculdade de Saúde Pública da USP, Samantha Caesar de Andrade, é avessa a esse tipo de dieta. "Deve-se aprender a se alimentar adequadamente." Diz que, com essas substituições, a pessoa emagrece e logo volta aos hábitos anteriores. Além disso, quem perde peso rapidamente não elimina só gordura, mas massa muscular também, e ainda desregula o metabolismo, que fica mais lento. E há perdas nutricionais, pois, enquanto uma refeição balanceada tem cerca de 600 calorias, esses pacotinhos contêm, no máximo, 300. Samantha calcula que um indivíduo acostumado a comer pouco no café da manhã (um copo de leite e uma fatia de pão, por exemplo) vai manter a mesma quantidade de calorias quando substituir essa refeição light pelo shake. Embora não recomende os shakes, a nutricionista acredita que podem ser adequados quando receitados por um especialista, dentro de uma dieta de educação alimentar. "Mas lembro que, como o shake é industrializado, contém corante e conservante", ressalva. A secretária Sandra Rocha de Oliveira tem 49 anos e está com cerca de 30 quilos acima de seu peso. Decidida a emagrecer, começou a participar de encontros promovidos por uma empresa fabricante de shakes. Só que ela tomava o substituto de refeição e passava o resto do dia comendo seus saborosos pastéis. Um mês depois, quando subiu na balança, tinha um quilo a mais. A vendedora dos produtos esteve em sua casa e lhe passou as devidas orientações: seguir uma dieta de reeducação alimentar, cortando refrigerantes, aumentando a quantidade de verduras e legumes, e evitando bebidas durante as refeições. Recomendou também a prática de atividade física. VERSÕES A doutora Andrea Dario Frias, PhD em Nutrição, que atua na pesquisa e desenvolvimento de alimentos funcionais, já desenvolveu alguns shakes e alerta para o fato de que há versões que são complementos nutricionais, e não substitutos da refeição. Defende que os substitutos podem funcionar se inseridos numa dieta balanceada, para compensar a possível falta de algum nutriente. Além disso, deve ser batido com leite, de preferência desnatado ou de soja, para chegar ao valor nutricional exigido. "O objetivo é introduzir o shake em um cardápio de reeducação alimentar." É uma ferramenta temporária, acrescenta ela, que não deve durar mais de dois meses. Segundo Andrea, os shakes têm muita fibra, o que estimula a produção do colecistoquinina (CCK), um hormônio que ajuda a controlar a fome. "Geralmente, é introduzido naquela refeição em que a pessoa costuma comer mais." Quando se chega ao peso desejado, o consumo só é indicado esporadicamente. A massoterapeuta Mayda Contar, de 33 anos, faz uso de shakes há cerca de cinco anos. Começou a tomá-lo antes de ir para a academia, numa época em que estava com alguns quilinhos a mais. Mas só perdeu peso quando aprendeu a receita com sua nutricionista, que a ensinou a prepará-lo com grãos e leite adequados para ela. "Tomo o shake todos os dias. É o meu café da manhã", diz. No ato da compra, é importante verificar se o produto tem registro na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), que exige alguns critérios para a venda. Entre eles, o de não ter menos que 200 calorias nem mais 400 por porção. Na embalagem, deve constar a quantidade de proteína, lipídios, vitaminas e minerais, entre outros.

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