Terremoto destruiu Áquila, cidade medieval da Itália

Tremor de 6,3 graus, o mais forte desde 1980, deixou 300 mortos e danificou monumentos históricos de cidade medieval que já foi cenário de filmes

Luísa Pécora, iG São Paulo |

Cerca de 110 mil monumentos e edifícios históricos de Áquila, no centro da Itália, foram danificados no terremoto que atingiu a pequena cidade medieval, de 68 mil habitantes, em 6 de abril de 2009.

Grande parte da cidade murada, cujo nome significa Águia, foi severamente danificada em um terremoto em 1703, incluindo a Catedral de Áquila e a Fonte dos 99 Canais, um dos símbolos da cidade. Com 6,3 graus de magnitude, o tremor de 6 de abril deixou cerca de 300 mortos, mais de 65 mil desabrigados e um prejuízo de US$ 16 bilhões.

Áquila é o principal centro histórico e artístico da região de Abruzzo, com monumentos como a biblioteca Salvatore Tommasi e o Forte Espanhol, do século XVI, uma de suas principais atrações.

A cidade também tem belas igrejas, como a basílica de São Bernardino de Siena, construída em 1472, e a catedral de Santa Maria di Collemaggio, que abriga o mausoléu do Papa medieval Celestino V.

Fortalezas medievais, como a Rocca Calascio, e montanhas locais serviram de cenário para filmes como "O Feitiço de Áquila" (1985) e "O Nome da Rosa" (1986).

A região de Abruzzo é montanhosa e está na linha costeira do mar Adriático, tendo sofrido outros tremores ao longo dos séculos. O terremoto do ano passado foi o de maior intensidade na região desde 1980, quando um abalo sísmico de 6,9 graus em Eboli, no sul de Nápoles, deixou mais de 2.700 mortos.

Por causa do terremoto de 2009, as estreitas ruas do centro histórico de Áquila foram tomadas por escombros. Em janeiro deste ano, os prefeitos da região de Abruzzo e o Ministério da Cultura da Itália assumiram o controle da reconstrução, até então liderada pelas agências de emergência.

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Catedral de Collemaggio, em Áquila, afetada em 1703, e no tremor de 2009

A estimativa é de que sejam necessários de 10 a 15 anos para recuperar o centro histórico da cidade. Todo tipo de reconstrução, incluindo a de casas privadas, terá de obter aprovação do Ministério da Cultura.

Para o professor de urbanização Pier Luigi Cervelatti, o governo deve se esforçar para trazer os moradores de volta à área central rapidamente. Um centro que fica vazio por muito tempo morre, afirmou ao jornal americano The New York Times.

Ele criticou o dinheiro gasto para construir casas temporárias para os desabrigados em outras partes da cidade. Essas novas casas são caras e não fazem nenhum sentido em termos de urbanização, disse. São como terminais em um aeroporto: não têm alma.

Com informações do The New York Times e Reuters

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