Reconstrução em Santa Catarina ainda ocorre mais de um ano depois de desastre

Segundo o governo federal, R$ 2,6 bilhões foram investidos na cidade depois de fenômeno climático de 2008, que deixou 135 mortos e 80 mil desabrigados

Camila Nascimento, iG São Paulo |


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Vítimas das enchentes desesperadas em busca de alimentos alagados

Vítima da enchente em busca de alimentos alagados em Santa Catarina, 2008

Em novembro de 2008, o Estado de Santa Catarina foi assolado por uma das maiores catástrofes naturais do país. Enchentes e deslizamentos atingiram 63 cidades, afetando 2 milhões de pessoas. O cenário de destruição foi comparado ao deixado pelo Furacão Katrina, nos Estados Unidos.

A condição para o caos tomou forma em 20 de novembro, quando um anticiclone (com ventos em sentido anti-horário) associado em alto-mar a um vórtice ciclônico (com ventos em sentido horário) formou um dilúvio no litoral catarinense.

Em 24 de novembro, após fazer um sobrevoo pela região atingida, o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique Silveira, descreveu a situação com uma frase que seria repetida diversas vezes: "Os morros derreteram como se fossem sorvete."

"Foram 135 mortes (97% por soterramento) e dois desaparecidos. Mais de 80 mil desabrigados. Houve perda total da agricultura. Naquele ano, foram praticamente três meses chovendo e três dias de dilúvio. Em dois dias, choveu 400 milímetros (mm). Em novembro, foram 1.000 mm, superando a média do ano", lembra a professora Maria de Lúcia Hermann, do Departamento de geociências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). "Pessoas ficaram ilhadas e passaram dias sem comida", completou.

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Vista aérea das cidades de
Navegantes e Itajaí, em 2008

Além disso, mais de 23 rodovias estaduais foram danificadas, além das estradas federais. O turismo, as indústrias, a agropecuária, as pequenas e microempresas, o comércio, os abastecimentos de água, luz e gás também foram prejudicados. A Defesa Civil estadual contabilizou 4,3 milhões de quilos de alimentos doados, 2,5 milhões de litros de água, 1 milhão de quilos de roupas, além de brinquedos, materiais de higiene pessoal e outros.

Os números da reconstrução das cidades ainda são desencontrados. De maneira emergencial, o governo de Santa Catarina recebeu, por meio da Medida Provisória 448, R$ 360 milhões. Segundo o governo federal, o total investido foi de R$ 2,6 bilhões, sendo R$ 1,3 bilhão por meio da liberação do FGTS. Em doações, foram mais de R$ 36 milhões. "Até o mês passado, algumas pessoas ainda moravam em abrigos. A construção de casas novas ainda está ocorrendo", completou. De acordo com a Defesa Civil estadual, 12 mil pessoas estiveram diretamente envolvidas nos trabalhos de reconstrução, além de milhares de voluntário.

A professora diz que depois dessa tragédia o olhar para os desastres naturais mudou. "As pessoas estão olhando mais para essa questão. Mas ainda é preciso criar um centro de estudos e atendimento aos desastres. Hoje, temos um grupo na universidade, mas é mais uma consultoria", disse em entrevista ao iG.

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Vista aérea da cidade de Blumenau, em 1983

Inundação em Blumenau, em 1983, deu origem a Oktoberfest no Brasil

Oktoberfest, 1983

Em 1983, uma enchente deixou a cidade de Blumenau, em Santa Catarina, completamente submersa. A tragédia inspirou uma festa: a Oktoberfest. "O objetivo, mais do que arrecadar dinheiro, era recuperar a autoestima da população", conta a professora Maria de Lúcia.

Na primeira edição, em 1984, o evento reuniu 102 mil pessoas que aproveitaram a festa típica alemã regada à muita cerveja. Naquele ano, foram consumidos 103 mil litros de chope. A festa, que este ano realizará sua 27ª edição, já chegou a reunir 1 milhão de pessoas. Juntando todas as edições, mais de 17 milhões já passaram pela Oktoberfest. Em 2008, quando a região voltou a ser castigada por enchentes e deslizamentos, a festa arrecadou cerca de R$ 3,5 bilhões.

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