Muitos ficaram em Nova Orleans por subestimar potencial do Katrina

Ao saber pelo rádio que grande parte da cidade estava inundada, pedreiro colocou família no carro e partiu para casa de parentes em Orlando, Flórida

Leoleli Camargo, de Nova Orleans |

Em 2005, a passagem do Katrina foi anunciada com a antecedência necessária para que Nova Orleans, no sul dos EUA, pudesse ser esvaziada. Quase 80% dos moradores protegeram janelas e portas, arrumaram as malas e partiram para cidades e Estados vizinhos, fora da rota prevista do furacão.

Os motivos que fizeram o restante da população permanecer na cidade vão de descrença sobre o potencial destrutivo da tormenta à impossibilidade de conseguir transporte para sair das áreas de risco ou simplesmente não ter para onde ir.

O furacão atingiu Nova Orleans como uma tempestade de categoria 3 (ventos entre 178 km/h a 207 km/h) no final da manhã do dia 29 de agosto. No dia seguinte, o inesperado: muros de contenção próximos ao rio Mississipi e ao lago Pontchartrain romperam deixando diversas áreas da cidade debaixo dágua.

O pedreiro Nicholas Dumafet, de 50 anos, morador da região Oeste de Nova Orleans, foi um dos surpreendidos pela água. "Na manhã seguinte ao furacão, estava saindo de casa para trabalhar quando escutei pelo rádio que grande parte da cidade estava inundada. Coloquei minha família no carro e peguei a estrada. Foi um tormento ir até Orlando, na Flórida, onde tenho parentes, mas conseguimos chegar a salvo", lembra.

A família Dumafet viveu por um mês na casa de parentes até conseguir voltar para casa. Na volta, destruição e sujeira. A casa estava sem o telhado, mas permaneceu em pé. "Fomos acomodados em um hotel porque tínhamos seguro residencial. Felizmente, não perdemos nada além do teto", comemora.

Nem todos os moradores que decidiram ficar, no entanto, tiveram a mesma sorte dos Dumafet. Com o transbordamento de um canal de navegação industrial pela violência das águas do rio, o furacão causou ondas de mais de quatro metros, e o posterior rompimento do muro de contenção que protegia os habitantes dos arredores, os bairros de Lower Ninth Ward e Saint Bernard foram rapidamente invadidos pela água.

Quem havia permanecido foi surpreendido por uma inundação que avançou com velocidade. Muitos encontraram nos telhados das casas o único abrigo da água. Especialmente velhos e idosos, que não conseguiram ir para o topo ou se agarrar a algum objeto flutuante, morreram afogados.

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