Conferência tenta arrecadar US$ 3,8 bi para início da reconstrução do Haiti

Mais de 100 países se reúnem nesta quarta-feira na sede da ONU em Nova York em uma conferência dedicada ao financiamento da reconstrução do Haiti, cuja região da capital, Porto Príncipe, foi devastada por um terremoto de 7,0 graus em 12 de janeiro.

iG São Paulo |

O presidente haitiano, René Préval, apresentará aos participantes um plano para a recuperação e o desenvolvimento após a tragédia, que deixou estimados 230 mil mortos, 310 mil feridos e 1,5 milhão de desabrigados.

Há expectativa de que ele peça US$ 3,8 bilhões para os 18 meses iniciais da reconstrução do país. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), uma análise preparada pelo governo haitiano com o apoio da comunidade internacional indica que a quantia total necessária para a reconstrução na próxima década é de US$ 11,5 bilhões.

Na segunda, o principal funcionário da ONU para o Haiti, Edmond Mulet, conclamou as nações doadoras a responder generosamente para que o país mais pobre das Américas possa reconstruir hospitais, escolas, prédios do governo, estradas e portos. Na tragédia, 280 mil construções haitianos foram destruídas ou danificadas.

AP
Haitiano joga bola em acampamento provisório em Porto Príncipe

Haitiano joga bola em acampamento provisório em Porto Príncipe

O Banco Interamericano de Desenvolvimento disse na semana passada que perdoará US$ 479 milhões da dívida do Haiti, e espera-se que a União Europeia forneça US$ 1,36 bilhão em auxílio para o desenvolvimento do país caribenho nos próximos anos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, presidirão a conferência. Entre os co-presidentes estão Brasil, Canadá, União Europeia, França e Espanha, que são os principais doadores do país. O ex-presidente Bill Clinton, que ocupa o cargo de enviado especial da ONU ao país caribenho, fará um pronunciamento durante o evento.

Projeto em longo prazo

Helen Clark, chefe do Programa de Desenvolvimento da ONU, disse que os US$ 3,8 bilhões requisitados nesta semana cobririam os custos de reconstrução dos próximos 18 meses, possibilitando ao país substituir mais de 1.300 instituições educacionais, mais de 50 hospitais e centros de assistência à saúde, cortes judiciais e outras construções que foram destruídas ou estão instáveis.

O esforço de reconstrução será gerenciado durante os primeiros 18 meses por uma agência interina presidida pelo primeiro-ministro do Haiti e uma comissão de diretores formada pelos principais doadores do país. Esse órgão identificará projetos e distribuirá fundos e, depois de 18 meses, uma agência haitiana assumirá o controle dos trabalhos, disse Mulet.

"Em longo prazo, o objetivo é ver os haitianos protegidos de furações que os ameaçam todo ano e de outros desastres naturais como terremotos", disse. "A redução de risco de desastres tem de estar no centro do esforço de recuperação."

Mesmo antes do terremoto de 12 de janeiro, o governo do Haiti enfrentava dificuldades para se recuperar de tempestades tropicais que representaram uma perda de 15% da receita do país em 2008.

AP
Bebê olha para o lado de fora de sua tenda em acampamento provisório

Bebê olha para o lado de fora de sua tenda em acampamento

Muitos dos 1,5 milhão de desabrigados da tragédia deste ano vivem em campos e estão vulneráveis às enchentes quando começar a temporada de chuvas no país, em algumas semanas.

Em fevereiro, Ban e Clinton lançaram um apelo humanitário paralelo pedindo US$ 1,44 bilhão para ajudar 3 milhões de haitianos afetados pelo terremoto deste ano com alimentos, medicamentos, abrigo e outras necessidades básicas. Segundo Helen, apenas metade dessa quantia foi arrecadada.

Mulet acrescentou que a conferência desta quarta-feira não será a primeira vez que a comunidade internacional se reuniu para arrecadar fundos para o Haiti. "Esperamos que dessa vez façamos dar certo", afirmou. "A comunidade internacional também é responsável pela fraqueza das instituições e do Estado haitiano."

Ele alertou que o fracasso em ajudar no desenvolvimento do Haiti poderia resultar em "uma missão de paz e em intervenções internacionais no país pelos próximos 200 anos".

*Com informações da AP, AFP e EFE

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