Cinquenta anos depois, Dresden se renova com unificação alemã

Arrasada por bombardeio, cidade teve de esperar 50 anos por restauração de um de seus principais marcos arquitetônicos

Leandro Meireles Pinto, iG São Paulo |

Intocada até poucos meses antes do fim da 2ª Guerra, a cidade alemã de Dresden foi, em 13 e 14 de fevereiro de 1945, cenário de um dos mais violentos e controvertidos bombardeios dos Aliados (liderados por Grã-Bretanha, União Soviética e os EUA) durante o conflito.

No primeiro dia do ataque, a cidade barroca, apelidada de Florença do norte da Europa por suas joias arquitetônicas, foi destruída por duas ondas de bombardeiros britânicos.

Em um intervalo de apenas três horas, 796 aviões Lancaster da Força Área Real despejaram 1.182 toneladas de bombas incendiárias e 1.478 toneladas de explosivos sobre Dresden, causando uma tempestade de fogo que devastou a cidade.

No dia seguinte, a ação de 311 bombardeiros B-17 dos Estados Unidos acabou de deixar completamente sob escombros 85% do centro da cidade (39 km²), que continuou em chamas por sete dias.

Oficialmente, o número de mortos é de cerca de 25 mil, mas muitos sobreviventes acreditam que o total seria maior, já que os corpos foram reduzidos a cinzas nos incêndios de temperaturas que atingiram até 1.000ºC.

O bombardeio causou polêmica por ter como alvo o centro, e não as áreas industrias ou a infraestrutura de comunicação da cidade. O primeiro-ministro britânico na época da 2ª Guerra, Winston Churchill, disse sobre a ação: "A destruição da cidade continua como uma séria indagação sobre a conduta dos Aliados".

Reconstrução

Nos primeiros anos após o fim da guerra, o centro de Dresden teve de passar por uma limpeza para que fossem retiradas as enormes massas de escombros deixadas pelo ataque. Foi só no início da década de 50 que a cidade começou a reconstruir edifícios residenciais e comerciais na região.

Desde o começo do processo de reconstrução, a preocupação com a restauração de alguns monumentos arquitetônicos não foi deixada de lado. O palácio Zwinger (1719), um marco da arquitetura barroca na Alemanha, foi completamente restaurado em 1964. Outras construções importantes, como o Museu Albertinum (1877) e a Casa de Ópera Semper (1841), também foram restaurados.

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Casa de Ópera Semper após restauração

Mas, na época do pós-guerra, Dresden ficou sob domínio soviético e, durante todo o período da Alemanha Oriental (DDR), a restauração da maioria dos edifícios históricos não foi a prioridade do governo. Locais históricos e de grande importância arquitetônica deram lugar a novas construções, mais modernas e voltadas à industrialização da cidade.

Em 1990, após a queda do Muro de Berlim, um grupo de importantes cidadãos da cidade lançou um apelo internacional conhecido como o "Manifesto de Dresden" para pedir ajuda na reconstrução da Igreja Frauenkirche, que havia se tornado um símbolo da destruição da cidade.

A construção, um marco arquitetônico erguido em 1743, sobreviveu às ondas iniciais de bombardeios, mas eventualmente foi engolida pelo incêndio e desabou quase dois dias após o primeiro ataque. A igreja, que dominou a paisagem de Dresden durante dois séculos, foi restaurada ao custo de US$ 251 milhões e reinaugurada em 2005.

Atualmente, Dresden é uma cidade praticamente 100% reconstruída que reúne edifícios históricos restaurados, arquitetura soviética e modernos prédios construídos após a queda do Muro de Berlim. A cidade é um dos polos turísticos na Alemanha e recebeu, 1,38 milhões de visitantes em 2008.

*Com informações da Reuters

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