"Camisas vermelhas" pedem ao Governo da Tailândia que ordene ao Exército que pare de atirar para discutir soluções políticas

Um dos chefes dos manifestantes, Natthawut Saikua, disse aos jornalistas no acampamento que ocupam no centro comercial da capital que as forças de segurança estão matando "camisas vermelhas", enquanto mostrava a foto de uma mulher assassinada, segundo ele, pelos soldados.

"Exigimos que o Exército deixe de disparar e que retire a tropa imediatamente para evitar mais mortes. Então poderemos estudar as exigências políticas", assinalou Natthawut Saikura.

Pelo menos três pessoas morreram e cerca de dez ficaram feridas nos enfrentamentos deste sábado entre manifestantes e soldados.

Esses número se somam aos 16 mortos e 160 feridos entre quinta e sexta-feira, quando o Exército começou a estabelecer um cerco ao acampamento dos "camisas vermelhas" no centro comercial de Bangcoc, segundo dados do Centro de Emergências Erawan, que coordena a assistência nos hospitais de Bangcoc.

O Governo calcula que dentro da zona vermelha há aproximadamente seis mil pessoas, embora a frente antigovernamental assegure que são pelo menos dez mil.

As forças de segurança têm licença para disparar e se defender dos tiros e das granadas do tipo M-79 utilizadas pelos manifestantes.

A onda de violência começou na quinta-feira quando o assessor militar da frente antigovernamental, o general rebelde Khattiya Sawasdipol, levou um tiro na cabeça, aparentemente em disparo de um franco-atirador. O general está em coma profundo, segundo os médicos que lhe atendem.

Os "camisas vermelhas" são partidários do ex-líder Thaksin Shinawatra, deposto pelos militares em 2006 e condenado depois à revelia a dois anos de prisão por corrupção, e exigem a renúncia do primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, e a dissolução do Parlamento imediatamente.

O Governo lhes ofereceu este mês a convocação de eleições em 14 de novembro e a dissolução do Legislativo na segunda metade de setembro, mas a oferta foi rejeitada.

Desde o início dos protestos, há dois meses, pelo menos 41 pessoas morreram e cerca de 1.400 ficaram feridas em explosões de granadas, tiroteios e enfrentamentos entre tropas e manifestantes.

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