Qual é o seu estilo? Por Mariana Abre Sodré São Paulo, 29 (AE) - Afinal, o que é ter estilo? A reportagem elegeu cinco mulheres autênticas e estilosas para mostrar qual o segredo delas. Um ponto em comum é a fuga dos modismos.

Qual é o seu estilo? Por Mariana Abre Sodré São Paulo, 29 (AE) - Afinal, o que é ter estilo? A reportagem elegeu cinco mulheres autênticas e estilosas para mostrar qual o segredo delas. Um ponto em comum é a fuga dos modismos. Abaixo, o leitor acompanha como nasceu o estilo de cada uma, suas preferências, combinações e o que levam em conta na hora da compra. E você? Qual estilo segue? Inspire-se. SEXY "Sempre usei minha silhueta e meu estilo para me comunicar, e tive a chance de encontrar muitos interlocutores", afirma Chiara Gadaleta. Não há como duvidar. O estilo de Chiara hipnotiza e diz tudo sobre ela, que é muito autêntica e cheia de opiniões, histórias e experiências de vida. Apresentadora do programa "Tamanho Único", do canal GNT, estilista da marca Tarântula, stylist e incentivadora da moda sustentável, Chiara já foi modelo de grandes marcas internacionais e estudante do respeitado Instituto Berçot, de Paris. Passou a infância na Itália, a adolescência no Brasil, o início da juventude na França e o resto pelo mundo, até fixar residência em São Paulo. É filha e neta de criadoras de moda, e tem um pouquinho disso tudo em tudo o que veste, de maneira bem editada. "Mudei muito minha maneira de vestir, mas não meu estilo. Hoje meu look é mais sexy. Sempre digo que as mulheres precisam valorizar e não esconder, mas com elegância. Não tenho preconceitos e me interesso por roupas bem feitas e bem desenhadas", fala ela, que não leva mais que dez minutos para "ficar pronta" para sair. Facilidade de quem já nasceu na moda, e tirou o melhor proveito disso. Na hora da compra? "Meu guarda roupa tem tudo. Claro, o que fica bem em mim e que uso." NEOCL¿?SSICO Camila Sarpi guarda no armário um vestido em três tons de azul, mas não o usa há anos. A peça não lhe serve mais. E ela nem cogita entrar no modelo novamente. Camila não engordou - tem medidas invejáveis, aliás - mas cresceu muito desde que desenhou a peça (sim, trata-se de autoria própria), ainda criança, junto com a avó materna, que mandou confeccionar a invencionice da menina. Ela dizia que queria "ser chique quando crescer." Hoje, designer de joias, Camila é mesmo chique. Mas não sem antes ter sido meio hippie (quando frequentava os bares da Vila Madalena na adolescência) e meio patricinha (quando ia ao clube Base e ao Cabral). "Não sei dar um nome para o meu estilo. Posso dizer que me importo cada vez menos com o que está na moda. E que nunca vestiria shorts com salto alto." Como Camila assina joias lindas, a pergunta foi inevitável: qual o papel dos acessórios na composição dos looks? "Às vezes me pego fazendo da roupa uma moldura para as joias, escolhendo um decote para o colar, essas coisas. Mas não uso mais que três peças (joias). As pessoas dizem que deveria destacá-las mais. Não consigo, gosto assim." Na hora da compra? "Tecidos quase sempre naturais, modelos que favoreçam as formas do corpo, muito preto e branco." CONTEMPORÂNEO E COOL Elas são as irmãs Sasseron. Marina nasceu 1 ano e 11 meses antes de Helena. As duas são talentosas, educadas, inteligentes, nada lugar comum e donas de estilos poderosos. Quinzenalmente, comandam a noite Chicks in Charge no club Milo Garage, em São Paulo, com repertório variado. "Tentamos não cair no óbvio", frisa Helena, que, na adolescência, trabalhou durante as férias para comprar um baixo e um amplificador. Ou seja, ela gosta mesmo do riscado, assim como a irmã, e não está só pegando carona na "moda" das DJs. Marina, vale lembrar, pertencia ao trio WWW, que marcou a cena paulistana em 2009. Ela era a "W" loira, agora ruiva, mas com o mesmo tino musical, e estilo inconfundível construído graças à sua paixão por moda. Ex-modelo, Marina estudou moda, foi vendedora de loja, assistente de Clô Orozco, de Alexandre Herchcovitch e, agora, integra o time criativo da Ellus. Sabe tudo sobre o assunto e usa tal domínio na hora de se vestir. Segue tendências respeitando uma ampla linguagem fashion. "Moda é mais que um produto, está ligada à música, arte, movimentos culturais e comportamentais." Na hora da compra? Helena: "é difícil trabalhar com moda e não ser consumista, mas estou me esforçando (risos)." Marina: "depende da verba (risos)." CLASSE SEM REGRAS A relação de Helena Linhares com a moda se deu assim que recebeu alforria do uniforme escolar, no chamado ensino fundamental. "Foi aí que a barreira da ‘roupa para o fim de semana’, ‘roupa para o clube’, ‘roupa para a festa’ caiu e vi que podia misturar as peças." Era tempo da calça bailarina (modelo de helanca, grudado ao corpo, lembra?) E Helena (segundo informações de ex-coleguinhas) era a única não rendida ao modismo febril. "Nunca gostei de nada muito justo, estivesse na moda ou não." O estilo de Helena passou ileso por hits, mas não pelas fases de sua vida. "As roupas que visto compõem um retrato do que estou vivendo", diz a diretora criativa da loja paulistana Pelu. Ela aprendeu direitinho que, além de autêntico, o bom estilo é livre. "Moda é um exercício de rever conceitos." Moça elegante e cool, Helena reforça a preferência pelo individualismo sem regras ao citar aquelas mulheres que, segundo ela, acertam muito na hora de se vestir. "Costanza Pascolato, Paola de Orleans e Bragança, a modelo Cássia ¿?vila e a estilista e stylist Vanda Jacintho." Por quê? "Porque desfrutam dessa liberdade que é muito importante, e têm segurança." Precisa mais? Na hora da compra? "Lisos, neutros, jeans, pouca estampa, nada justo nem curto demais." MINIMALISTA Só há cinza, preto, branco e jeans no armário de Helena Montanarini. A cor ela deixa para os acessórios, como a pashimina, que adora e coleciona. "Sempre tive um visual mais limpo, talvez simples. Quando criança, contestava o look bonequinha do qual minha mãe tanto gostava", explica. "Tudo fica mais fácil quando você se conhece e não se deixa escravizar por marcas, tendências ou modismos", diz Helena, que já foi vítima da escova, por exemplo, mas há tempos desfila com os cachos soltos. "A tendência de moda é válida, é bacana, mas não deve anular o estilo da pessoa. Já segui modismos, já usei minissaia na época da míni, maximantô com shorts e botas nos anos 70, mas sempre da minha maneira", completa a consultora, que já foi definida como a perfeita tradução do luxo cool. "Acho que todos temos o mesmo estilo desde criança, que vai sendo podado pelas pessoas e também adaptado pelas mudanças da vida. Acredito que o segredo para manter e ter estilo é se respeitar e usar as informações do meio a seu favor", encerra Helena, que dá aulas de estilo na Escola São Paulo. Na hora da compra? "Mix de marcas, não sou adepta de nenhuma label em especial. Visto camiseta de marca popular, como a J. Crew, com cashemere Prada, por exemplo."

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