Puccinelli vota em Serra, mas mira Brasília

Governador anuncia, pela 1ª vez, apoio a Serra, mas é logo cortejado pelo Planalto durante entrevista coletiva

Alessandra Messias, iG Campo Grande |

Ao adiantar que pretende fazer poucas mudanças no secretariado, o governador reeleito André Puccinelli (PMDB) trouxe uma novidade para o cenário político sul-mato-grossense.

Pela primeira vez, Puccinelli admitiu apoiar Serra (PSDB) no segundo turno da eleição presidencial contra Dilma Roussef (PT). “Estamos com Serra no segundo turno e vamos trabalhar para elegê-lo”, observou.

Mas a posição inédita do governador, anunciada durante coletiva no dia seguinte à vitória esmagadora, não arrefeceu os ânimos do peemedebista com relação a uma eventual proximidade com o Palácio do Planalto.

Tanto é verdade que Puccinelli foi obrigado a interromper a entrevista para atender duas ligações de Brasília.

Em seguida, a justificativa aos jornalistas:

“Tenho que atender lá, né?. Quem sabe eu não posso ser o noivo cobiçado”, diz demonstrando que ficaria satisfeito em ser disputado pelos dois candidatos à Presidência da República.

Pelo menos por enquanto, a escolha de André por Serra ocorreu após grande período de indefinição do governador.

Ele foi pressionado pelo PSDB local que exigia o apoio ao tucano, caso contrário, a senadora Marisa Serrano (PSDB) poderia concorrer ao governo do Estado, o que dificultaria a vitória de Puccinelli no primeiro turno.

Puccinelli adiantou que as mudanças na atual composição do secretariado serão pequenas, mas poderão incluir alguns deputados estaduais de sua base de apoio no Estado. Com a eleição, a Assembleia Legislativa apresentou uma renovação de dez parlamentares.

André foi reeleito com 704.407 votos, o que representa 56% do total válido, e durante coletiva reforçou seu apoio a José Serra (PSDB) que venceu no Estado com 42,83% dos votos no Mato Grosso do Sul, enquanto Dilma Roussef registrou 39,15%, e Marina Silva (PV), 17,10%.

Em Mato Grosso do Sul, André dará ênfase em dois pontos desenvolvimentistas: a infraestrutura de transportes e a industrialização do Estado.

“Nós ainda não demos todas as ordens de serviço, para os valores conseguidos por meio de empréstimo feito através do BIRD, nós daremos ordem de serviço para isso e iremos andar com as obras para que haja agilização máxima”, afirma Puccinelli.

Ele explica que a infraestrutura logística trará competitividade e as commodities terão melhores condições de venda no mercado interno e externo.

André Puccinell relata que já investiu maciçamente no setor sulcroenergético. O Estado tinha 11 usinas e agora conta com 22 indústrias.

Nos próximos oito ou dez meses estarão funcionando outras seis usinas, e a meta do governador é alcançar 40 empreendimentos sulcroenergéticos, revolucionando a matriz econômica de MS.

Para Puccinelli, o turismo é uma das saídas econômicas para o Estado.

No entanto, o governador admite que Saúde, Educação e Segurança Pública são setores que precisam de atenção e faz críticas ao governo federal.

"Nos 14 municípios onde existe gestão plena, ou seja, os municípios dizem “somos donos do nosso próprio nariz”, é obrigação deles arcar com as despesas dos municípios", afirmou o governador reeleito.

Entretanto, é repassado R$ 16 milhões às prefeituras, totalizando R$ 70 milhões de recursos do Estado investidos na Saúde.

A estrutura deficiente dos municípios e a dificuldade de atendimento pelo Estado é justificada por André pela falta de participação da União.

Segundo ele, cabe ao Governo federal repassar uma parcela de 10% sobre a receita corrente líquida para a saúde dos municípios, conforme prevê o projeto de lei denominado PEC 29.

“Depois que a CPMF caiu, eles mandaram a PEC 29, e eles são os únicos que não estão aplicando este percentual. Os municípios são obrigados a aplicar 15%, não há município neste Estado que não aplique. Alguns comprometem até 24% do orçamento, e não há Estado no país que não aplique 12%”, revela o governador.

O parlamentar diz que já foi repassado 15,04% no exercício financeiro de 2009 para a saúde, e a União “não aplica a sua correspondente parcela na saúde. Então, a saúde deixa a desejar, por culpa do governo federal, dos estados e dos municípios, onde a gestão é plena”.

A campanha de André foi bombardeada por uma série de escândalos envolvendo os repasse financeiros a Assembléia Legislativa. Por isso, houve uma renovação de 10 deputados, dos 24 estaduais, nestas eleições, uma “oxigenação para o estado”, segundo o doutor em ciência política Daniel Miranda.

Puccinelli diz que a Assembléia recebe um percentual da receita corrente líquida assim como os outros três poderes. “Vou continuar mandando, e eles que não façam besteira como foi feito pelo deputado Ary Rigo, de falar bobagem de devolução que nunca houve”, polemiza.

Com relação a eleição da Mesa Diretora da Assembléia em 2011, o governador tem um peso muito grande nas negociações, porém a única exigência que faz é a permanência de um deputado do PMDB, partido que elegeu a maior bancada no pleito deste ano.

Os deputados Akira Otsubo (PMDB) e Rinaldo Modesto (PSDB) ficaram de fora nestas eleições, e André deve mexer no secretariado para acomodá-los.

“Edson Giroto foi eleito para ser deputado federal e o será, o Carlos Marun foi eleito para ser deputado estadual e o será, então os primeiros suplentes vão aguardar, não sei se um bom tempo, ou no mínimo algum tempo”, afirma o governador, referindo-se aos secretários de Obras, Edson Giroto (PR), e o de Habitação, Carlos Marun (PMDB), eleitos para os próximos quatro anos.

O prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB), é um dos mais cotados para suceder Puccinelli em 2014, no entanto, a vice-governadora, Simone Tebet, também é muito forte e pode ocorrer uma disputa interna para a definição do candidato.

André Puccinelli diz que os próximos candidatos que disputarão o governo do Estado serão definidos por pesquisas qualitativas e quantitativas. “Eu creio que para não errarmos, temos que ouvir a população”, finaliza o governador de MS.


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