Publicitário trocou briga de galo por vaquejada

Duda Mendonça culpa ¿sistema hipócrita¿ por ter recebido dinheiro do exterior por serviços prestados ao PT na campanha de 2002

Luiz Antonio Ryff, iG Rio |

Desde a vitória de seu cliente em 2002, Duda enfrentou alguns “contratempos” que arranharam sua imagem. Ele foi preso em 2004 no Rio de Janeiro pela Polícia Federal em uma operação de combate às rinhas de galo. Em 2005, durante um depoimento na CPI dos Correios, o publicitário revelou ter recebido cerca de R$ 10 milhões pelos serviços prestados ao PT na campanha de 2002, em uma conta nas Bahamas.

Do primeiro revés, ele não reclama. Faz troça. “O Jânio Quadros proibiu a rinha de galo, proibiu o maiô, proibiu o lança-perfume... Tenho a impressão que ele tinha alguma má vontade comigo. Proibiu tudo o que eu gosto”, ri. Duda afirma ter trocado a competição com galos pela vaquejada, modalidade popular no nordeste – mas que também não conta com muitos fãs entre defensores de direitos dos animais.

O segundo problema ainda não foi digerido por ele. “Eu sofri muito, e de forma injusta”, afirma. “O dinheiro que eu recebi foi do meu trabalho, de uma campanha. Se tem algum erro é do sistema, que é hipócrita”. Em 2008, os ministros do Supremo Tribunal Federal acolheram denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra 40 acusados do esquema do mensalão – entre eles Duda Mendonça.

Ele conta que, na época da CPI dos Correios, escreveu um livro sobre o episódio. “Eu parei para vomitar as minhas mágoas”. Mas ainda não decidiu que título deve dar à obra. “Pode ser ‘Vale a pena falar a verdade’ ou ‘Não vale a pena falar a verdade’. Eu ainda não sei. Hoje talvez eu lhe dissesse que vale. Há um ano eu talvez dissesse que não vale. Eu fui muito ingênuo. Eu acredite que indo lá e falar a verdade... O que eu fiz de errado? Eu fiz uma campanha e recebi meu dinheiro. E paguei meu imposto.”

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