Protesto defende morte por blasfêmia e reúne 50 mil no Paquistão

Manifestantes tentam manter lei que prevê pena de morte a quem ofende Islã e dão apoio a assassino de governador que pedia reforma

AFP |

Muhammed Muheisen/AP
Criança fica espremida no meio de manifestantes que se opõem à revisão da lei da blasfêmia

Mais de 50 mil pessoas protestaram neste domingo em Karachi, no sul do Paquistão, contra a revisão da lei que prevê a pena de morte em caso de blasfêmia contra o islã e em apoio ao policial que assassinou o governador de Punjab, que tentava modificá-la, informou a polícia.

A manifestação de Karachi, capital econômica do Paquistão, com 18 milhões de habitantes, foi convocada por partidos muçulmanos radicais. Um chefe da polícia, Mohamad Ashfaq, disse que mais de 50 mil manifestantes se reuniram. Outro chefe policial confirmou o número e acrescentou que 3 mil agentes foram mobilizados para garantir a ordem.

Fareed Khan/AP
Cerca de 50 mil manifestantes se reuniram para protestar contra revisão da lei da blasfêmia e apoiar assassino de governador, que pedia reformas na legislação
A alteração apresentada pelo ex-ministro das Comunicações Sherry Rehman, do Partido do Povo Paquistanês (PPP, no poder), despertou a ira de setores religiosos conservadores, que no mês passado mobilizaram milhares de fiéis em todas as grandes cidades do país em protesto contra a medida.O governo antecipou que não apoiará a reforma da lei.

"Já esclareci e o ministro de Assuntos Religiosos também o fez. Não temos a intenção de modificar esta lei", disse o primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani, à imprensa neste domingo em Islamabad.O governador da estratégica província de Punjab, Salman Taseer, de 66 anos, um dos poucos políticos moderados do país e crítico do islã radical, foi morto na terça-feira por um de seus guarda-costas, que o atingiu com 29 tiros em um elegante bairro da capital Islamabad.

O assassinato horrorizou o Partido do Povo Paquistanês (PPP), atualmente no poder, do qual Taseer era uma das principais figuras. Por outro lado, o crime foi celebrado nos círculos religiosos conservadores, evidenciando a precariedade da situação política do país e do governo.

A controversa lei foi o centro das atenções nas últimas semanas, depois que uma mulher cristã, mãe de cinco filhos, foi condenada em novembro à morte por blasfemar o profeta Maomé.A mulher, Asia Bibi, apelou da decisão e espera uma decisão da Alta Corte de Lahore.

Muitos países e organismos internacionais, assim como o papa Bento 16 e diferentes políticos e associações paquistanesas, pressionaram o presidente Asif Ali Zardari para que a perdoe. Apesar da existência da lei, nenhuma pessoa foi executada no Paquistão por blasfêmia. Na maioria dos casos, as sentenças foram modificadas na apelação.Cerca de 3% dos 167 milhões de paquistaneses seguem religiões diferentes do Islã, e com frequência se queixam de discriminação.

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