Presidente da Assembléia de MS promete investigar denúncias de corrupção

Jerson Domingos (PMDB) quer apuração rigorosa das acusações feitas por deputado tucano contra servidores

Alessandra Messias, iG Campo Grande |

O presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Jerson Domingos (PMDB) afirmou que a instituição não se omitirá diante das declarações do deputado estadual Ary Rigo (PSDB), segundo o qual haveria um extenso esquema de corrupção envolvendo procuradores, promotores e juízes do Estado.

Em caso de confirmação das denúncias de Rigo, servidores poderão ser demitidos e responderem processo por improbidade administrativa e fraude.

Segundo o parlamentar tucano, estariam envolvidos na fraude procuradores, promotores e juízes do Estado.

A posição do presidente da AL foi manifestada logo após Jerson receber uma comissão especial da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de MS) que acompanha as investigações das denúncias de corrupção nos três poderes.

Rigo já responde a mais de 11 interpelações judiciais de magistrados do Tribunal de Justiça de MS e do Ministério Público Estadual.

Se comprovadas as denúncias ele pode ficar inelegível por oito anos e na área criminal responder pelos crimes de calúnia, difamação, danos morais e falso testemunho.

A Corregedoria da Assembléia Legislativa que deve ouvir Rigo, ainda não conseguiu fazê-lo porque ele está de licença médica para tratamento de saúde.

Enquanto o tucano não volta ao ninho, todos os processos seguem o ritmo moroso da Justiça e devem ser “enterrados” com o caso, deixando a população sem resposta.

Ary Rigo (PSDB),primeiro secretário da Casa de Leis, foi filmado por Eleandro Passaia apontando como era fatiado R$ 2 milhões repassados pelo governo do estado aos desembargadores do Tribunal de Justiça (R$ 900 mil) e ao Ministério Público Estadual (R$ 300 mil), o restante era dividido entre os deputados estaduais.

Rigo não foi reeleito e está no fim do mandato, no entanto, Jerson destaca que a Casa de Leis dará uma “resposta à sociedade”.

Sobre o pagamento de “mensalão” aos deputados no valor de R$ 120 mil mensais, Jerson Domingos afirmou que apenas Rigo pode esclarecer as declarações. “Cabe somente a Rigo responder sobre suas falas”.

Na gravação, Rigo diz: “na Assembléia cada deputado não ganhava menos de R$ 120 mil, agora os deputados vão ter que se contentar com R$ 42 mil. Cortou tudo! Vamos devolver R$ 6 milhões para o governo. Por isso, que eu ando sumido. Nós estamos criando um acordo, eles vão devolver R$ 400 mil, não é mais 30%, comigo é 10%”, revelou o deputado no vídeo.

Desde o começo das denúncias, o corregedor da Casa de Leis e deputado Maurício Picarelli (PMDB) encaminhou à Mesa Diretora um parecer solicitando que Ary Rigo seja ouvido pela Comissão de Ética da Casa.

Porém, ele ficou doente e foi submetido a cirurgia de cateterismo em hospital na cidade de São Paulo. O parlamentar está de licença por 25 dias, contado a partir do dia 13 de outubro.

A OAB/MS quer ter acesso ao depoimento de Rigo. Jerson informou que concederá o pedido.

O presidente da Assembléia não detalhou as informações contidas no parecer de Picarelli. Contudo, ele diz que o relatório é extenso. Jerson destacou que para dar início aos trabalhos da corregedoria o deputado Ary Rigo deve estar presente junto com um advogado.

Na última entrevista que concedeu, Rigo negou quala partilha de dinheiro e mudou o tom da conversa dizendo que as diferenças que somavam dois milhões eram resultantes de cortes do duodécimo, valor constitucional repassado aos poderes.

Segundo ele, os R$ 120 mil que estava se referindo era o custo total de cada gabinete e não de dinheiro repassado a parlamentares.

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