Cientista político assume presidência de Fundação no lugar de Emir Sader, que criticou ministra, esperando ter desempenho sóbrio

O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, torce para que a Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), ligada ao Ministério da Cultura,  mantenha o perfil de uma instituição com “desempenho sóbrio”, ou seja, longe das polêmicas. O novo presidente da instituição conversou com o iG hoje, por telefone, sobre a confirmação da sua indicação . Santos foi convidado após a polêmica envolvendo o intelectual Emir Sader, que não assumiu o posto por ter chamado a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, de “meio autista”, em uma entrevista.

Santos foi convidado pela própria ministra ontem à noite e aceitou de pronto a missão, mas ainda não teve contato com a Fundação e sua equipe depois de topar a missão. “Eu conheço bem a casa, já fiz palestras por lá e convivi com sua equipe, mas há setores que ainda tenho de aprender como funcionam”. Como exemplo desses setores, ele destacou a filologia (estudo da língua) e a arquivologia.

A Fundação Casa de Rui Barbosa fica no Rio de Janeiro e tem como missão principal promover a preservação e a pesquisa da memória da produção literária e humanística, bem como congregar iniciativas de reflexão e debate acerca da cultura brasileira, conforme nota publicada hoje pelo MinC. A Fundação teve orçamento de mais de R$ 30 milhões.

Santos é cientista político autor de mais de 20 livros e articulista de diversas publicações. Hoje é professor pesquisador da Universidade Cândido Mendes. Dentro da ciência política, sua especialização é em Teoria da Democracia.

A indicação de Santos agrade setores do Partido dos Trabalhadores. criou polêmica em 2005, ao denunciar um “golpe branco” da oposição para derrubar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva após o episódio do mensalão.

Polêmica do direito autoral

Segundo Wanderley Guilherme dos Santos, a FCRB vai acompanhar de maneira próxima a discussão sobre as reforma das leis sobre Direito Autoral no país. O tema foi uma das primeiras polêmicas enfrentadas pela ministra Ana de Hollanda desde que assumiu o cargo.

Como responsável por guardar um acerto histórico, boa parte do conteúdo de milhares de obras da FCRB têm divulgação limitada por conta das restrições atuais das leis. Não é possível, por exemplo, distribuir fotocópias de muitos desses livros por conta das normas atuais.

Santos diz ainda desconhecer integralmente as discussões sobre o tema, mas destaca que a revisão das leis tem impacto sobre uma parte do conteúdo da Fundação.

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