'Vou procurar o Kassab quando assumir o PMDB', diz Raupp

Primeiro vice-presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp fala ao iG dos próximos passos do partido na sucessão de Michel Temer

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Reeleito senador pelo Estado de Rondônia, Valdir Raupp de Matos, 65 anos, deve ser o novo presidente do PMDB. Atualmente, ele é o primeiro-vice presidente do partido. Caso chegue à presidência, será o posto mais alto que ele terá ocupado até agora no PMDB. Entre 2007 e 2008, ele foi líder da bancada do PMDB no Senado. Tentou se manter no cargo e ensaiou um enfrentamento com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

Agência Estado
O senador do PMDB de Rondônia, Valdir Raupp
Em entrevista exclusiva ao iG , Raupp disse que, assim que assumir a presidência do PMDB, irá procurar o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dentro da estratégia de fortalecer o partido nos Estados onde o PMDB teve fraco desempenho nas eleições. Raupp diz ver com "bons olhos" a possibilidade de Kassab migrar para o PMDB. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

iG - O senhor vai assumir o PMDB?

Valdir Raupp - É o que está mais provável. Seria a forma mais tranquila para não haver disputa interna e esperar a próxima convenção.

iG - Quando será a próxima convenção?

Raupp - É para abril ou maio do próximo ano. Não há data definida.

iG - O senhor conversou com o presidente Michel Temer sobre isso?

Raupp - Não aprofundamos esse assunto.

iG - E com a bancada do Senado?

Raupp – Mais ou menos. Falei com o Renan e com o Sarney.

iG – Eles concordam com a tese de que o senhor assuma o partido no lugar de Temer?

Raupp – Em princípio, sim. Seria o melhor caminho.

iG – Mas o senador eleito Eunício Oliveira também seria um candidato a presidente.

Raupp – Eunício é candidato a três cargos: ministro, presidente do Senado e presidente do PMDB... Ele está jogando. Ele estaria mais próximo de um ministério, mas é a presidente Dilma quem vai decidir.

iG – Como o senhor acha que o partido tem de ser conduzido, já que ocupará uma presidência de forma interina?

Raupp – Tem de ser um trabalho em conjunto. Essa nova composição do diretório do PMDB já funcionou mais ou menos nesse sentido. Um resultado disso é a eleição do Temer como vice-presidente da República. Agora, se eu assumir o partido, uma das metas é fortalecer o partido onde tivemos desempenho mais fraco.

iG – Por exemplo?

Raupp – Um deles é São Paulo. Vou conversar com o Temer, com os suplentes de deputados que não se elegeram. Eles estão muito insatisfeitos com a situação do comando do PMDB em São Paulo, Estado onde apenas um deputado federal do partido foi eleito. Havia 70 candidatos. Nós deveríamos ter eleito, pelo menos, 10. Precisamos de campanha de filiações.

iG – Como o senhor vê a possível entrada do prefeito Gilberto Kassab (DEM) no partido?

Raupp – Eu vejo com bons olhos. Acho que é uma das possibilidades para começar a fortalecer o PMDB em São Paulo.

iG – O senhor já falou com o Kassab?

Raupp – Ainda não. Mas pretendo falar com ele assim que assumir o partido.

iG – Já foi estabelecida uma data?

Raupp – Vou acertar com o Temer. Não sei se será na diplomação ou na posse.

iG – Como o senhor ficou sabendo da intenção do Temer de se licenciar? Foi por intermédio dele ou da bancada do PMDB?

Raupp – Antes mesmo da eleição, ele já havia me falado para coordenar algumas reuniões e assumir aos poucos o partido. Depois da reunião, ainda não falei com ele. Até porque é uma decisão pessoal dele (sair do comando do partido).

iG – O senhor já conversou com o líder Renan Calheiros e com o presidente do Senado, José Sarney, sobre assumir o partido?

Raupp – Com o Renan eu já falei há duas semanas. Ele também acha que a melhor solução é a licença (do Temer) e não a renúncia.

iG - Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal abriu um processo contra o senhor.

Raupp - É melhor que julgue logo. Eu sei que sou inocente. Foi uma empresa que negou ter feito doação a mim quando tentei me reeleger senador. A empresa fez a doação, mas resolveu negar porque eu perdi a eleição.

iG - No começo de 2009, o senhor tentou se manter como líder do PMDB, mas acabou derrotado por Renan Calheiros. Não houve um mal estar?

Raupp - Eu estava equivocado. Já passou. Estamos juntos.

    Leia tudo sobre: Valdir RauppPMDBMichel Temer

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG