Senador mineiro diz que discurso da presidenta é um "conjunto de boas intenções" e cobra "iniciativa" nas propostas de reformas

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) criticou o discurso da presidenta Dilma Rousseff na apresentação da “Mensagem ao Congresso” nesta quarta-feira. “É um conjunto de boas intenções. Vou guardar meus aplausos para quando as medidas foram implementadas”, afirmou o tucano, apontado como potencial candidato a presidente em 2014.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), durante discurso da presidenta Dilma
Adriano Ceolin
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), durante discurso da presidenta Dilma
Apesar das críticas, Aécio afirmou que “nas questões de Estado” a oposição poderá atuar em parceria com o governo Dilma. “Principalmente no que diz respeito a reformas, é preciso que haja iniciativa ( do governo ) de propô-las. É necessário que ela ( Dilma ) organize a base ( governista ) dela para votar, já que é uma base altamente majoritária”, afirmou.

Aécio assistiu ao discurso de Dilma em pé no meio do plenário da Câmara. “É a primeira vez que venho aqui desde que deixei a presidência”, lembrou o tucano, que comandou a Casa entre 2001 e 2002, quando disputou pela primeira o governo de Minas Gerais. Em 2006, foi reeleito para o mesmo cargo e consolidou-se como nome da oposição.

De volta à Câmara, fez questão de cumprimentar colegas deputados como Gonzaga Patriota (PE) e Julio Delgado (MG), ambos do PSB. O partido integra a base governista em Brasília, mas é aliado de Aécio em Minas Gerais. O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), também conta com o apoio do PSDB local.

Em boa parte do discurso de Dilma, o tucano conversou ao pé do ouvido com o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). No momento, o peemedebista trava um embate com o governo Dilma pela distribuição ou manutenção de cargos do PMDB no segundo escalão da administração federal.

Salário mínimo

Principal aliado do ex-governador de São Paulo José Serra, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) também fez críticas à fala de Dilma. No entanto, o tucano paulista classificou como proposta concreta a criação de uma lei de reajuste do salário mínimo a longo prazo. “Tocou neste assunto no momento em que é pressionada pelas centrais sindicais”, disse.

Segundo Aloysio Nunes, também chamou atenção a defesa de políticas para evitar tragédias causadas pelas chuvas como ocorreram no Estado do Rio de Janeiro no mês passado. “No mais, a presidenta Dilma só apresentou boas intenções”, disse o senador paulista. 

O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), foi na mesma linha. "O discurso, no geral, é bom, mas o problema é ver se o discurso se converte depois em atos. Sobre a reforma tributária e o salário mínimo, por exemplo, ela teve pouca precisão".

(Com Agência Estado)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.