'Vou cuidar do vice-presidente Michel Temer', diz Dilma

Presidenta recebe prêmio no Senado e faz referência ao presidente do PMDB; homenagem ocorre em momento tenso com base aliada

iG São Paulo |

A presidenta Dilma Rousseff esteve nesta terça-feira no plenário do Senado para receber o prêmio Bertha Lutz, em razão ao Dia Internacional da Mulher. A homenagem ocorreu em meio a um momento tenso com a base aliada no Congresso. Em um discurso pouco político, Dilma fez uma referência a seu vice, presidente do PMDB. "Vou cuidar do vice-presidente Michel Temer ", disse.

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Roberto Stuckert Filho
Dilma Rousseff recebe prêmio Bertha Lutz no Senado

A fala, em tom de brincadeira, foi dita pela presidenta depois do pronunciamento da deputada federal Benedita da Silva, no qual advertiu Temer, que estava presente no evento, que cuidasse bem de Dilma. "Queria também cumprimentar Marta Suplicy e cumprimentar José Sarney. É muito importante que seja um homem e uma mulher no exercício dessa Casa (Senado). Como eu e o vice-presidente Michel Temer, que a Benedita afirmou que deve cuidar de mim. Eu também vou cuidar do vice-presidente Temer", disse.

Em outra referência ao PMDB, Dilma chamou o governo de "nosso". "Permitam-me citar alguns resultados da redução da desigualdade de renda, de que o nosso governo - não é, vice-presidente Temer? - tem muito orgulho", disse Dilma.

Apesar das citações ao partido aliado, a presidenta contrariou as expectativas e evitou fazer um discurso político durante a entrega do prêmio. Dilma fez um pronunciamento leve, ressaltando os feitos do governo para diminuir as desigualdades no País, principalmente em relação às mulheres. Ela defendeu a busca da igualdade social e de oportunidades.

Ao relacionar cada uma das mulheres que ocupam seu governo, Dilma lembrou que o Brasil foi o primeiro país em que uma mulher abriu a Conferência da ONU . "Acredito que o século 21 é o século das mulheres", disse.

No início de seu discurso no plenário, em sessão conjunta da Câmara e Senado, Dilma falou das mulheres premiadas, "que são mulheres de luta, de reflexão, que exercitaram suas atividades em prol do Brasil e que tiveram coragem de fugir do conformismo, defenderam igualdade de gênero e oportunidades".

Nos bastidores, políticos apostavam em um discurso com uma tentativa de apaziguar as relações com os aliados, que estão insatisfeitos com o tratamento preferencial dado ao PT. Semana passada, a própria base aliada votou contra a recondução de Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A primeira visita da presidenta ao Congresso este ano coincide com sua decisão de trocar o líder do governo no Senado . Sai Romero Jucá (PMDB-RR), que está no cargo desde 2006, escolhido pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva , entra o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), ex-governador do Amazonas, que está no primeiro mandato.

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Além disso, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, anunciou sua saída nesta terça-feira .

A presidenta foi elogiada por Sarney, que afirmou que ao eleger uma mulher para a Presidência da República, o povo brasileiro adotou uma "posição ousada".

Sarney acrescentou que a presença feminina na política é fundamental para o País, para que ele alcance seus ideais de Justiça. "Quero homenagear a presidenta Dilma que rompe um paradigma ao ocupar a Presidência da República e é orgulho para todos os brasileiros e brasileiras que reconhecem no seu governo sua grande liderança”, disse Sarney.

Sarney ressaltou também que “a causa das mulheres não está integralmente ganha”. “Continuamos longe do ideal no corpo social e no trabalho”, completou.

Após a cerimônia, a presidenta pediu um encontro privado na Presidência do Senado para conhecer a família de Maria Prestes, que também foi homenageada. Além de Maria Prestes e Dilma, foram agraciadas Eunice Michiles, primeira mulher a ocupar uma vaga no Senado; a socióloga Rosali Scalabrin, representante da Comissão Pastoral da Terra e titular da Coordenadoria da Mulher do município de Rio Branco, no Acre; e a professora Ana Alice Alcântara da Costa, do Departamento de Ciências Políticas e do programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres na Universidade Federal da Bahia.

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