'Vou a todos os municípios que me chamarem', diz Temer ao iG

Em entrevista exclusiva, vice-presidente confirma pacto de não agressão ao PT e diz que Lula prometeu poupar PMDB em São Paulo

Tales Faria, iG Brasília |

Presidente licenciado do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer falou com exclusividade ao iG sobre suas expectativas para as eleições municipais deste ano, em outubro. Principal liderança do PMDB no País, ele aposta que o seu partido elegerá cerca de 1.000 prefeitos e 8.000 vereadores. E anunciou que pretende viajar por todo o Brasil em campanha, visitando cada município ao qual for convidado.

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Quanto a São Paulo, Temer confirmou o acordo de apoio mútuo no segundo turno entre os candidatos do PT, Fernando Haddad, e do PMDB, Gabriel Chalita. E mais: Ele revela ter conversado com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre as eleições em São Paulo. Ouviu do principal líder do PT a promessa de que ele não ira bater em Chalita.

AE
Evidente que não vou exagerar no discurso. Palavras de um vice-presidente têm que ser medidas

iG: Qual o resultado que o senhor espera das eleições deste ano para o PMDB?
Michel Temer: Naturalmente, um resultado positivo. Para nós, o resultado será positivo na medida em que mantenhamos um número superior a 1.000 prefeitos e 8.000 vereadores em todo o país. Hoje nós temos 1.157 prefeitos e perto de 8.400 vereadores. Acho que podemos repetir esses números, e isso será muito útil para o partido. Eu verifico que há um entusiasmo muito grande em todas as reuniões do PMDB, quando se fala na obtenção dessas cifras que estou mencionando.

iG: E quais as prioridades?
Michel Temer : De alguma maneira, todos os municípios são prioritários, quando se fala da necessidade de vencermos em um número tão grande de municípios. Por óbvio, no entanto, quando se tratam de capitais, de grandes cidades, elas sempre assumem uma importância maior.

iG: Qual o papel de São Paulo nesse quadro?
Michel Temer : Importante. São Paulo é uma capital importante.

iG: Importante ou decisiva?
Michel Temer : Importante. O Chalita está indo muito bem. Faz uma pré-campanha muito limpa, excelente. Ele é uma figura nova, tem carisma e trabalha muito. 18 horas por dia, pelo menos. E tem outra qualidade: fala cinco minutos e escuta três vezes mais. Ele não só escuta, como anota. O ex-governador Franco Montoro era assim também. Anotava e, depois, aproveitava as boas sugestões, fazia o que os eleitores cobravam, se fosse correto.

iG: Há um acordo de apoio mútuo no segundo turno entre o Chalita e o candidato do PT, Fernando Haddad?
Michel Temer : O Chalita conversou com o ex-ministro Haddad. Tiveram uma ótima conversa, em que ficou definido que farão uma campanha sem agressões no primeiro turno e, se isto acontecer, é muito provável que haja aliança no segundo turno em face da conjuntura nacional, em que há uma aliança PMDB-PT.

iG: O senhor tem conversado com ex-presidente Lula?
Michel Temer: Falamos várias vezes por telefone. Especialmente quando voltei de Seul, no dia 28 de março, exatamente o dia em que o presidente Lula anunciou ter debelado a doença. Telefonei para comemorar a notícia. Eu disse: “Presidente, estou ligando para comemorarmos o fim da doença” E ele respondeu: “Vamos comemorar pessoalmente num dia desses.”

iG: Lula vai fazer campanha para o Haddad. Será que vai bater no Chalita?
Michel Temer: Nada. Zero. Ele até me disse neste telefonema, muito claramente: “Olha, tenho muito apreço pelo Chalita. Não vou fazer nenhuma agressão a ele.”

iG: Como o senhor vai se comportar na campanha?
Michel Temer: Pretendo dar muita colaboração, na qualidade de presidente licenciado do PMDB. Sempre que for convocado, me apresentarei. Acho que viajarei muito. Vou a todos os municípios que me chamarem. Mas é evidente que não vou exagerar no discurso. As palavras de um vice-presidente têm que ser medidas.

iG: Como o senhor tem se sentido na vice-presidência?
Michel Temer: É uma rotina diferente de quando estive no Congresso, como presidente da Câmara. A vice-presidência é mais isolada. Mas tenho tido muitas tarefas, inclusive tarefas no exterior. Muda muito os hábitos de vida, mas é uma experiência interessante.

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