Você aí parado também já foi roubado, gritam manifestantes em MG

Com cerca de 500 manifestantes, ato contra a corrupção reúne jovens e velhos em Belo Horizonte

Denise Motta, iG Minas Gerais |

“Você aí parado, também já foi roubado”. Este foi um dos gritos de ordem de aproximadamente 500 manifestantes em ato contra a corrupção na cidade de Belo Horizonte, na tarde desta quarta-feira (12). A manifestação aconteceu hoje em diversas cidades do País . A informação sobre o público em Belo Horizonte é dos organizadores e também da Polícia Militar de Minas Gerais, que cuidou da segurança e não registrou nenhum incidente durante o trajeto de um quilômetro entre a Praça da Liberdade e a Praça Sete de Setembro, região central da cidade.

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Muitos dos manifestantes escolheram um nariz de palhaço como forma de protesto. Outros coloriram com tinta verde e amarela as bochechas, em alusão ao movimento dos caras pintadas que pressionaram contra o então presidente Fernando Collor, em 1992.

Denise Motta/iG
Manifestantes lotam o centro de Belo Horizonte, capital mineira

O nariz de palhaço foi a maneira encontrada pela aposentada Zenaide Ferraz Campos, de 64 anos, de manifestar-se contra o roubo de dinheiro público. Ela contou à reportagem do iG que é a primeira manifestação do tipo em que participa, mas pretende ir nas próximas. “Fiquei sabendo pelo Facebook, pois tenho um perfil. Se não iniciarmos um movimento as coisas vão piorar. No dia 15 de novembro também vou participar.” A aposentada acredita que movimentos estudantis acabaram influenciados pelo poder durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por isso é necessário uma reorganização dos jovens.

A timidez dos jovens em participar de atos contra a corrupção nas ruas é uma decepção para o jovem estudante Reinaldo Belli Alves Costa, de 17 anos, que com um megafone estava à frente da passeata. “É uma coisa que eu lamento e precisamos mudar isso. Fiquei sabendo pelo Facebook e chamei os amigos, muitos vieram. Grandes manifestações a favor do Brasil tiveram início em Minas Gerais e pretendemos crescer a cada dia”, disse ele.

Também foram as redes sociais as responsáveis pela presença do designer Rodrigo Crivellari, de 42 anos, no ato contra a corrupção na capital mineira. Ele levou durante o trajeto um cartaz criticando o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), alvo de outras manifestações pelo país. “Isso é um começo. Muito precisa ser feito para tirar os políticos da zona de conforto. Além de cobrar nas ruas, precisamos cobrar nos gabinetes”, defendeu. Questionado sobre o motivo de centrar seu protesto em Sarney, ele respondeu: “O Sarney representa o coronelismo brasileiro. Para mim, ele representa a corrupção no Brasil. Como líder do PMDB, que tem uma grande bancada ele é conivente e estimula a corrupção”.

Jovens mascarados distribuíram folhetos para divulgar um encontro mundial que ocorrerá no próximo dia 15. “Venha fazer um mundo mais democrático e justo do povo e para o povo, sem bandeiras que nos separem, apenas o desejo do povo pela mudança”, descrevia o folheto do Anonymous BH. O movimento cyberativista pró-Wikileaks (organização que vaza fontes de governos e empresas) é conhecido mundialmente e na capital mineira prevê um acampamento coletivo a partir das 16h do próximo sábado (15).

O Anonymous BH vai acampar na Assembleia Legislativa de Minas, mesmo local onde professores grevistas da rede estadual montaram barracas durante paralisação que durou mais de 100 dias .

Tininho Silva, de 62 anos, sem máscara, distribuía um folheto com explicações sobre as bandeiras do movimento do qual faz parte, “Brasil Unidos Contra a Corrupção”. Entre os pontos estão a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa, a promoção da Reforma Política e a inclusão da corrupção na categoria de crimes hediondos. “Existem 130 projetos parados referentes ao combate à corrupção no Congresso Nacional. Os parlamentares precisam criar vergonha na cara e desengavetar estes projetos”.

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