Visão nacionalista pode ajudar Amorim na Defesa

Apesar das diferenças, Jobim e Amorim concordam com compra de caças da França

Adriano Ceolin, iG Brasília |

De modo geral, militares são nacionalistas e obedientes. Pois bem. Essas são duas marcas da personalidade do novo ministro da Defesa, Celso Amorim, que podem ajudá-lo a ganhar a confiança das Forças Armadas. Ele foi escolhido ontem como substituto de Nelson Jobim após uma série de declarações que revelaram seu caráter desafiador e insubordinado.

AFP
Novo ministro da Defesa, Celso Amorim
Como ministro das Relações Exteriores do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Amorim sempre foi afinadíssimo com o presidente. Em alguns momentos, até demais. Mesmo quando Lula dava declarações sem muita diplomacia, Amorim fazia questão de apoiá-lo. Foi assim quando apoiou o presidente em polêmicas envolvendo a Venezuela e o Irã.

Colega de ministério a partir de 2007, o próprio Jobim chegou a criticar os posicionamentos de Amorim. De acordo com o site Wikileaks, o então ministro da Defesa chegou a dizer para diplomatas dos Estados Unidos que o ministério das Relações Exteriores comandado por Amorim tinha “inclinação anti-americana”.

Essa inclinação pode ser especulada pelas manifestações de Amorim contra as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos contra o Irã. Em 2010, o governo norte-americanos articulou nas Nações Unidas medidas contra o programa nuclear iraniano. Os EUA acusaram o Irã de usar urânio enriquecido para produzir armas e não energia.

Amorim também defendeu interesses nacionais quando esteve à frente da missão do Brasil Organização Mundial do Comércio (OMC), entre 1999 e 2001, ainda durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Como foi bem sucedido, acabou nomeado com o prestigiado cargo de embaixador do Brasil em Londres, na Inglaterra.

Caças da FAB

Diferenças a parte, Amorim e Jobim têm visões similares em relação ao principal assunto da Defesa nos últimos 10 anos: a compra dos novos 36 caças da Força Aérea Brasileira. Ambos demonstraram preferência pela compra dos aviões Rafale franceses, da empresa francesa Dassault.

Como ministro das Relações Exteriores, Amorim foi o principal articulador do acordo militar com França em 2009. Sobretudo com a visita do presidente francês Nicolás Sarkozi ao País. Na oportunidade, a imprensa chegou a noticiar que a compra dos caças franceses estava fechada. Jobim também anunciou preferir o Rafale.

Lula, porém, deixou o governo sem concluir a compra. E Dilma decidiu adiar a decisão par 2012. Esse foi o principal motivo que fez piorar sua relação com Jobim. Na verdade, ela o manteve como ministro a pedido de Lula. Segundo o iG apurou com um petista próximo ao presidente, Dilma sempre pensou em Amorim como ministro da Defesa.

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