Vídeo aponta que procuradores recebiam propina no DF

Imagens apreendidas pela Polícia Federal reforçam provas contra procuradores no chamado mensalão do DEM. iG antecipou os diálogos

iG Brasília |

A TV Globo veiculou vídeos apreendidos pela Polícia Federal que reforçam as provas de que o ex-procurador-geral do Ministério Público do Distrito Federal Leonardo Bandarra e a procuradora Deborah Guerner recebiam propina para aliviar as investigações contra o ex-governador José Roberto Arruda e outros envolvidos no chamado mensalão do DEM.

Exibidos ontem pelo Jornal Nacional, os vídeos são do circuito interno de segurança da casa da própria Deborah e indicam que o local funcionava como um bunker, frequentado por Bandarra de modo furtivo, para supostamente acertar a divisão de propina. Um dos vídeos mostra que Bandarra chegava de moto e só retirava o capacete dentro da residência, para não ser reconhecido na rua.

Outros vídeos mostram imagens e diálogos - revelados pelo iG na semana passada - da procuradora com o marido, Jorge Guerner, combinando onde enterrar o cofre com dinheiro ilícito. Combinam, ainda, deixar a quantia de R$ 100 mil num cofre mais visível dentro de casa, de origem comprovada, como isca para ludibriar os policiais. A operação, porém, não adiantou. O cofre, com cerca de R$ 280 mil, acabou localizado pela polícia, enterrado no jardim. Além de farta quantidade de dinheiro, foram encontrados documentos e disquetes, tudo empacotado a vácuo.

Os vídeos foram apreendidos em junho, com base em depoimento do ex-secretário Durval Barbosa, de Relações Institucionais do DF, cujas delações ajudaram a PF e a Justiça a desmantelar o esquema, batizado de mensalão do DEM de Brasília. O ex- governador Arruda, além de preso por dois meses por tentar obstruir as investigações, perdeu o cargo e responde a processo por corrupção, peculato e formação de quadrilha. Mais de 30 dirigentes e políticos de Brasília também estão indiciados junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo Durval Barbosa, Bandarra recebeu mais de R$ 1,6 milhão de propina, além de mesada, para interferir no Ministério Público e impedir investigações sobre os contratos do lixo.

(Com informações da Agência Estado)

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