Vereadores de Belo Horizonte mantêm veto a aumento de salário

Proposta de reajuste de 62% gerou diversas manifestações nas ruas e na internet

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Com um placar de 21 votos a favor e 10 contra, os vereadores de Belo Horizonte mantiveram veto do prefeito do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), referente ao projeto de lei que aumentava de R$ 9 mil para R$ 15 mil os salários dos parlamentares da capital mineira.

O veto foi analisado por vereadores em uma sessão com direito às presenças de dezenas de manifestantes. Eles chegaram a cantar a marchinha “Coxinha da Madrasta”, vencedora de concurso realizado pela prefeitura. A canção remete à denúncia de que o presidente da Câmara Municipal, vereador Léo Burguês (PSDB), comprou mais de R$ 60 mil em salgados no buffet de sua madrasta.

A votação foi secreta e eram necessários exatos 21 votos para derrubar ou manter o veto. A reunião foi aberta com as presenças de 25 vereadores. O vereador Preto (DEM) retirou-se do plenário para baixar o quórum e foi vaiado, sob gritos de “omisso” e “covarde”.

Logo depois da aprovação do projeto, surgiram manifestações populares e na internet, contrárias ao reajuste . Jovens foram às ruas pedindo o veto do prefeito em atos realizados em frente à Prefeitura de Belo Horizonte . Candidato à reeleição, o prefeito anunciou o veto ao projeto de lei de aumento no final do mês passado .

O aumento de 62% nos salários dos vereadores gerou polêmica em Belo Horizonte. Em entrevista ao iG , o presidente da Câmara Municipal, vereador Léo Burguês, declarou que entendia movimentos contra o aumento porque os salários da população em geral são baixos . Após declarar que jornalistas ganhariam mais que vereadores , Burguês recuou e manifestou-se a favor da manutenção do veto, uma decisão discutida em comissão e dentro do PSDB. O presidente da Câmara não participou da sessão plenária desta tarde e foi chamado de “coxinha” pelos manifestantes.

Antes da votação, as falas de alguns vereadores geraram reações de manifestantes nas galerias. O vereador Leonardo Mattos (PV) foi vaiado ao defender o reajuste para os vereadores. Em pronunciamento, ele disse que a manutenção do veto significava a morte do Poder Legislativo. Reinaldo Preto do Sacolão, do PMDB, foi outro parlamentar que gerou reação.

Depois de Sacolão ser interrompido por gritos de manifestantes, o presidente da sessão plenária, vereador Alexandre Gomes (PSB), suspendeu a reunião por cinco minutos. “No meu comércio, ganhava três vezes mais do que eu ganho como vereador. Eu não estou aqui por causa do salário. Nem salário, subsídios”, afirmou o vereador do PMDB, causando vaias nas galerias.

Antes de Preto do Sacolão, um correligionário dele, o vereador Iran Barbosa, defendeu a manutenção do veto do prefeito ao aumento dos vereadores. O mesmo posicionamento tomou o vereador petista Arnaldo Godoy. Tanto Barbosa quanto Godoy sempre se manifestaram contra o aumento dos vereadores.

O veto pelo prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) foi considerado estratégico politicamente , diante das manifestações populares contrárias ao aumento do salário. Lacerda disputará a reeleição em outubro deste ano.

Depois de aprovação do projeto de lei, a Câmara Municipal de Belo Horizonte veiculou em rádios e redes de televisão um vídeo de esclarecimento, que gerou rapidamente uma reação de movimentos . Como os protestos contra o reajuste cresceram a cada dia, diversos vereadores mudaram de ideia, como foi o caso do peemedebista Geraldo Félix, que votou a favor do reajuste e depois chegou a encaminhar um ofício ao prefeito, pedindo veto ao projeto.

Denise Motta/iG
Estudantes protestam contra aumento de salário de veradores de Belo Horizonte

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