Vaticano elogia proibição de programas políticos na Canção Nova

Emissora católica tirou do ar programas com Edinho Silva (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e outros políticos

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais (PCCS) do Vaticano parabenizou, por meio do Twitter, os fiéis da TV Cancão Nova pelo cancelamento dos programas do presidente estadual do PT de São Paulo, Edinho Silva, e do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP), na emissora católica.
“Parabéns fiéis da Canção Nova! Edinho Silva e Chalita perdem seus programas na emissora”, diz a mensagem publicada dia 22 na página oficial do PCCS.

Edinho, Chalita, o deputado federal Eros Biondini (PTB-MG) e a estadual Miriam Rios (PSD-RJ), tiveram os programas cancelados no início da semana. Dias antes, fiéis e grupos católicos ultra-conservadores iniciaram uma campanha contra a presença do petista na grade da emissora católica. Para não ser acusada de partidarismo, a emissora decidiu tirar do ar todos os políticos.

Reprodução
Pontifício Conselho do Vaticano comemorou fim dos programas no Twitter
O PCCS é um organismo oficial da Igreja que responde diretamente ao Vaticano. Na Nunciatura Apostólica, em Brasília, ninguém estava autorizado a falar com a imprensa. A responsável por atender as ligações desligou duas vezes o telefone diante do pedido da reportagem do iG e disse que o problema era da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A assessoria de imprensa da CNBB informou que a entidade não tem qualquer relação com o fato.

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É a segunda vez em pouco mais de um ano que o Vaticano se manifesta em assuntos da política interna brasileira. No ano passado, o papa Bento XVI pediu aos bispos brasileiros que orientassem seus fiéis a não votar em candidatos a favor do aborto ás vésperas da eleição presidencial.

A declaração do papa foi acompanhada de uma campanha subterrânea em sites católicos e evangélicos contra a então candidata Dilma Rousseff (PT). Várias pessoas que participaram da campanha contra Dilma também se manifestaram pela saída de Edinho Silva na Canção Nova. Segundo analistas, contribuiu para empurrar a eleição para o segundo turno.

Cancelamento

De acordo com a Canção Nova, o cancelamento dos programas foi a pedido do bispo de Lorena, d. Benedito Beni (que subscreveu um documento contra Dilma em 2010). Outro fator foi a pressão econômica. A Canção Nova depende basicamente das doações de aproximadamente 600 mil fiéis que colaboram mensalmente. A campanha contra Edinho sugeria o fim das doações.

Além disso, houve pressão indireta do Vaticano, que questionou a direção da emissora sobre a presença do petista na grade de programação.

Segundo a Canção Nova, o presidente do PCCS, d. Claudio Maria Celli, pediu que a emissora abrisse espaço para os setores da Igreja Católica voltados ao trabalho social. O objetivo seria aproximar a ala espiritual (representada principalmente pelo movimento conservador Renovação Carismática) da ala social (concentrada nas progressistas comunidades de base e pastorais sociais).

Não houve um pedido expresso do PCCS para que a Canção Nova convidasse um petista. O Vaticano só ficou sabendo do convite a Edinho quando o programa já estava no ar. A avaliação da Canção Nova é que nos três programas que foram ao ar Edinho não disse nada que contrariasse a doutrina católica. A reação está baseada em declarações pró-direitos homossexuais e contra os panfletos católicos anti-Dilma publicados no blog do dirigente petista.

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