"Vão continuar pedindo cargos", diz Ideli sobre base aliada

Ministra da articulação política afirma que já enfrentou período mais difícil, mas que pressões de aliados vão permanecer

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Waldemir Barreto/ Agência Senado/Waldemir Barreto
Para a ministra Ideli, pedir de cargos é algo que está no DNA da base governista
A crise na Casa Civil após a lua de mel dos primeiros 100 dias de governo revelou o principal ponto fraco de Dilma Rousseff : a falta de uma articulação política bem feita. Nos primeiros 100 dias de administração, o Palácio do Planalto pode comemorar a aprovação do novo salário mínimo . Porém, nos outros 100, os partidos da base aliada no Congresso só aumentaram os pedidos por cargos e liberação de emendas.

“E vão continuar pedindo. É da natureza, do DNA ( da base governista )”, diz ao iG a ministra Ideli Salvatti, da Secretaria das Relações Institucionais (SRI). Depois de ter iniciado o governo na pasta da Pesca, ela assumiu a articulação política após as demissões de Antonio Palocci (Casa Civil) e Luiz Sérgio (que deixou a SRI e foi para a Pesca ).

Palocci deixou o governo no dia 7 de junho, duas semanas após a revelação de que aumentou seu patrimônio em 20 vezes entre 2006 e 2010. Como era o principal interlocutor político do governo, virou alvo da oposição. Além disso, foi chantageado pelo PMDB e, por fim, cobrado pelos colegas do PT que passaram a defender sua demissão.

Luiz Sérgio deixou o cargo que ocupava três dias depois da saída do colega da Casa Civil. A presidenta da República, porém, não o responsabilizou totalmente pelos problemas na articulação política. A avaliação geral, inclusive de congressistas, é que o fato de Palocci ser interlocutor junto aos partidos dificultou sua ação. Como prêmio de consolação, Sérgio ficou com o lugar de Ideli na Pesca.

Com a experiência de oito anos no Senado, onde foi da bancada do PT, Ideli contou que os primeiros desafios foram superados. Ela, porém, sabe que ainda há muita coisa para fazer.

“Não é céu de brigadeiro. Não podemos nos acomodar”, disse. Ela não era a favorita para ficar com a vaga. Antes da sua nomeação, o PMDB e o PT fecharam um acordo para apoiar o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) . Ideli, porém, acabou sendo uma escolha pessoal da presidenta da República, assim como Gleisi Hoffmann, que assumiu o posto de Palocci.

Um mês após a chegada ao cargo, Ideli demonstra otimismo. "Posso dizer que tivemos condições efetivas de diálogo. Restabelecemos a relação com o Congresso.” "Com todos os problemas que tivemos, vamos pensar no que interessa ao cotidiano da população", diz. " Tivemos de fazer o controle da inflação sem deixar de gerar emprego ”, concluiu.

Visão governista

Senador pelo PT da Bahia, Walter Pinheiro (PT-BA) reconhece que o principal problema do governo no semestre foi a questão política. No entanto, acha que é só um caso de adaptação. “O presidente Lula fazia a gestão por meio da política. Já a presidenta Dilma faz a política por meio da gestão”, resume.

Apesar dos problemas, Pinheiro diz que o governo Dilma soube superar a crise envolvendo o chefe da Casa Civil. “Quando houve a crise do mensalão em 2005, o Lula já estava consolidado. Dilma passou por uma crise dessas logo nos seis primeiros meses de administração”, avalia o senador baiano.

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