Senador ocupava cargo interinamente e foi eleito após a escolha de Humberto Costa (PT) para a relatoria do caso Demóstenes

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) foi eleito definitivamente presidente do Conselho de Ética do Senado. Ele ocupava o cargo interinamente devido à recusa do senador Jaime Campos (DEM-MT) de levar adiante o requerimento do PSOL para investigar o envolvimento de Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

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Presidente do Conselho de Ética do Senado, Antônio Carlos Valadares, conversa com colegas em reunião
Agência Brasil
Presidente do Conselho de Ética do Senado, Antônio Carlos Valadares, conversa com colegas em reunião

Originalmente, o cargo pertencia ao PMDB por ter a maior bancada na Casa. No entanto, vários senadores consultados pela liderança do partido recusaram a função. A eleição ocorreu nesta quinta-feira depois de Humberto Costa (PT-PE) ser escolhido relator do caso Demóstenes .

Valadares foi designado para presidir a reunião do conselho na terça-feira por ser o mais velho, o que foi criticado por Demóstenes que, de surpresa, compareceu à reunião .

Para o senador, só é coerente o integrante mais velho ocupar o cargo quando o presidente e o vice-presidente estão ausentes, mas não quando há vacância. O presidente anterior, senador João Alberto (PMDB-MA), teve de se licenciar do mandato para assumir o governo do Estado. Demóstenes também afirmou que vai se defender do processo de quebra de decoro parlamentar e que vai provar sua inocência.

Notificado na quarta, Demóstenes tem dez dias úteis para apresentar a defesa prévia. Mais cedo, Valadares avaliou como "grave, delicada e decepcionante", a situação do senador . "Ninguém esperava isso de uma pessoa da envergadura política do senador Demóstenes, que comandava uma oposição agressiva, calcada na ética", explicou. "Para resumir tudo numa palavra, o sentimento é de frustração para o Congresso e o País."

Valadares acredita que, diante da necessidade de dar resposta rápida à situação constrangedora que afeta o ambiente geral no parlamento, o processo deverá estar concluído em 60 dias. Basta, para isso, que o relator abra mão de lapsos de tempo meramente rituais, "mas sem prejudicar o direito do acusado os princípios da ampla defesa e do contraditório", observou.

Escolha do relator

Após seis sorteios e cinco desistências, o Conselho de Ética escolheu Costa para relatar a representação do PSOL. Antes dele, cinco sorteados se recusaram a assumir a função.

Primeiro a ser sorteado, o senador Lobão Filho (PMDB-MA) declinou da função alegando "foro íntimo". O mesmo ocorreu com o senador Gim Argello (PTB-DF). Terceiro a ser sorteado, o senador Cyro Nogueira (PP-PI), por telefone, recusou a função. Os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros (PMDB-AL) também declinaram.

"Já que ninguém quer ser relator, quem quer ser presidente?", ironizou Valadares, que ainda estava na condição de presidente interino, devido à dificuldade de escolha de um relator para o caso.

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