UNE decide ficar neutra na eleição presidencial

Apesar de decidir pela neutralidade, a UNE aprovou um programa político alinhado à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff

Agência Estado |

A União Nacional dos Estudantes (UNE) decidiu manter uma postura independente diante das eleições presidenciais, mas aprovou um programa político alinhado à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, e crítico ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Moções de apoio formal a Dilma e de repúdio ao pré-candidato do PSDB, José Serra, apresentadas durante o 58º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg), foram retiradas da proposta aclamada na plenária final do evento.

Depois de três dias de debates no Rio de Janeiro, foi aprovada a resolução elaborada pela corrente majoritária da UNE - que preside a entidade e tem o apoio de grupos ligados a PT, PCdoB, PMDB, PSB e PDT. Além de conter pontos consonantes com as políticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o documento que será apresentado aos candidatos durante a campanha propõe o enfrentamento de "políticas de fundo neoliberal", da "redução dos gastos sociais" e da "privatização do patrimônio estatal".

"A UNE sai daqui sabendo o que ela quer e o que ela não quer. Nós vamos lutar para que o Brasil não retroceda a determinadas políticas que, na nossa opinião, são negativas", afirmou o presidente da entidade, Augusto Chagas.

Porém, ele esclareceu que a decisão de não apoiar nenhum dos candidatos à Presidência foi tomada em nome da unidade do grupo. "Quem deve ter candidatos numa disputa eleitoral são os partidos políticos. A UNE deve contribuir com aquilo que há de mais valioso na nossa trajetória, que são as propostas."

A aprovação do texto foi considerada um revés para a corrente do PT que defendia uma moção pró-Dilma, a Articulação de Esquerda. Os integrantes do grupo, que participaram da elaboração do projeto aprovado no Coneg, defendiam o apoio à candidatura da ex-ministra, mas decidiram retirar a proposta da resolução para evitar que fosse rejeitada na plenária.

"Apesar de não termos saído com apoio à Dilma, saímos com propostas que estão muito próximas ao programa dela", avaliou o terceiro vice-presidente da UNE, Tássio Brito, ligado à Articulação de Esquerda. "Para nós, é um posicionamento baseado em um programa que ele (Serra) vai ter dificuldade de assinar. Não acredito que ele vá assinar."

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