Não há vagas nos hotéis e restaurantes estão movimentados. Entidades de hotelaria e turismo lamentam falta de turismo na cidade

Quem tenta encontrar um quarto de hotel disponível em Brasília essa semana se depara com uma surpresa nada agradável. Não há vagas nos hotéis da cidade. Motivo de comemoração para o setor, que amargou meses de pouco faturamento e se aproxima de outros escassos de clientes, a lotação se dá por conta das atividades no Congresso Nacional e alguns eventos de entidades profissionais na cidade.

Faltando pouco tempo para o fim do ano legislativo no Congresso Nacional, empresários, lobistas, prefeitos e políticos invadem a cidade para pressionar deputados e senadores na votação de projetos e emendas. “Graças a Deus, porque durante as eleições e, especialmente outubro, foi um horror”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal, Tomaz Ikeda.

Ikeda reclama que, infelizmente, os hotéis de Brasília se mantêm especialmente com a atividade do Congresso Nacional. Os próximos meses, segundo ele, serão difíceis para o setor, por causa das festas de fim de ano e recesso dos parlamentares. A taxa de ocupação dos apartamentos disponíveis (exceto os flats com moradores fixos) ficará em 16% nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. A média anual de ocupação é de 50%.

Segundo o presidente da ABIH-DF, as reservas durante a semana, por conta da atividade de negócios e política da cidade, sustentam a ausência de clientes nos finais de semana. “Ainda bem que estamos conseguindo captar alguns congressos na área de saúde, por exemplo, para Brasília nos finais de semana. Quem vê a cidade cheia assim, pode achar que falta hotel. Mas não falta não”, garante.

De acordo com Ikeda, estão sendo construídos mais 1,5 mil apartamentos em hotéis e flats na capital. Junto com os já existentes, eles chegarão a quase 24 mil. “Falta vontade política para promover o turismo na capital”, critica. Clayton Machado, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), concorda. “O poder público nunca olhou para o turismo de forma profissional em Brasília. A saída para qualquer mercado nas áreas de hotelaria e de gastronomia é a parceria com o governo. A iniciativa privada não consegue resolver os problemas sozinha”, diz.

Para Machado, a situação momentânea da cidade é melhor do que a do ano passado nessa mesma época. Mas está longe de significar uma recuperação para o setor. “Com os eventos, os hotéis estão cheios e os restaurantes e os bares acabam tendo mais movimento. Mas faltam ações para garantir a continuidade disso. Nossa sorte foram os vários congressos que ocorreram na cidade este mês”, comenta. Só na área da saúde, um congresso de hematologia e outro de ortopedia foram realizados em Brasília.

“Temos de aprender a promover o turismo cívico na cidade, como faz Washington nos Estados Unidos. Com tantos vôos fazendo escala na capital, não é difícil. Se abrirem mais hotéis além dos que já estão sendo construídos hoje, todos quebram.Não teremos demanda para ocupá-los”, opina.

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