Tucanos divergem por valor do mínimo

Enquanto o senador Aécio Neves promete às centrais valor de R$ 560, o aliado de Serra Alvaro Dias defende R$ 600

AE |

Ao receber nesta terça-feira (15) representantes das centrais sindicais, com exceção da CUT, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) se comprometeu a levar à bancada do seu partido um plano B para a aprovação do salário mínimo no valor de R$ 560 e não de R$ 600, como defendem os tucanos, atendendo ao pedido dos líderes sindicais. Aécio afirma que a sua intenção é procurar a reaproximação do PSDB com as centrais, das quais esteve, segundo ele, afastado nos últimos anos.

"O que estou buscando é a aproximação do PSDB com as centrais sindicais e dos movimentos sociais, que me parecem mais realistas hoje", disse Aécio. "Acho natural que o partido seja solidário à proposta apresentada na campanha eleitoral (do salário mínimo de R$ 600), mas não devemos correr o risco de ficarmos isolados nesse processo. E, se for derrotada a proposta do mínimo em R$ 600, devemos ter um plano B, que seria a unificação das oposições em torno da proposta das centrais sindicais", explicou.

Para o senador, a posição do governo de tentar assegurar o mínimo em R$ 545, alegando que outro valor poderia levar o País a uma crise econômica, não deve ser aceita porque, acredita, "há sim um espaço para negociação e quem sabe pode contar no último momento com a participação do governo".

O ex-governador de Minas Gerais lembrou que os sucessivos recordes de arrecadação tributária do governo e a situação econômica muito melhor do que a anterior, "não apenas pela atuação de um, mas da ação de vários governos", abrem espaço para a negociação. "Não acho correto que o governo faça disso uma queda de braço, um cavalo de batalha e a proposta apresentada pelas centrais me parece razoável", avaliou.

O senador lembrou ser este o primeiro teste do governo da presidenta Dilma Rousseff . Mas destacou que, em questões como esta, não prevalece apenas o apoio da base aliada, mas também "o sentimento das ruas" e o sentimento daqueles que elegeram os parlamentares.

Encabeçando o grupo de sindicalistas, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, afirmou que as duas bancadas do seu partido (da Câmara e Senado) e a bancada do DEM, com quem ele se reuniu pela manhã, vão apoiar a proposta do salário mínimo de R$ 560.

Ele lembrou que as centrais já recuaram da proposta inicial de R$ 580 para R$ 560 para abrir a possibilidade de um entendimento. Paulinho disse que não é o salário mínimo que causa a inflação. "Caso contrário, o governo Lula teria uma inflação galopante, quando ele deu um reajuste de 70% no salário mínimo".

Racha no PSDB

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), informou hoje que na votação da proposta do salário mínimo para este ano a bancada vai manter o compromisso assumido na campanha eleitoral pelo valor de R$ 600. No caso de ser rejeitada essa emenda, o PSDB apoiará a proposta das centrais sindicais de um reajuste do mínimo para R$ 560.

"Seria estranho o PSDB adotar uma postura na campanha eleitoral e outra depois. É essencial honrar os compromissos assumidos até para que possamos ter autoridade de cobrar daqueles que governam o País", disse.

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