Tucano Beto Richa mantém Serra como opção para presidente em 2014

Ao iG, governador do Paraná afirma que PSDB precisa de unidade e fala sobre a contratação de ator erótico no governo

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), disse que o senador Aécio Neves (MG) sai na frente na próxima disputa pela Presidência da República, em 2014. No entanto, ele não descarta a possibilidade de uma nova candidatura do ex-governador paulista José Serra , que saiu derrotado das urnas na eleição do ano passado.

"Está aí o exemplo do Lula que disputou três vezes antes de ganhar. Mas lembramos que o Aécio é um nome novo", disse em entrevista ao iG por telefone. "Hoje Aécio leva vantagem ( sobre o Serra ). Mas vamos esperar, ainda há tempo para isso. Vai disputar quem estiver em melhores condições", completou.

Richa tentou explicar por que contratou e depois demitiu Valter Pagliosa como coordenador regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Após a notícia de que ele participou de um filme erótico, o governador mandou exonerá-lo.

O caso foi relevado no Twitter pelo principal adversário de Richa, o ex-governador e atual senador Roberto Requião (PMDB-PR). O tucano acusou seu antecessor de deixar o Estado endividado. Leia os principais trechos da entrevista:

iG – Qual era a situação do governo quando o senhor chegou?
Beto Richa
– Fizemos a suspensão dos pagamentos e dos contratos por 90 dias para colocar a casa em ordem e tomar pé da situação. Conhecer a fundo as finanças. Apuramos tudo e concluímos que há R$ 4,5 bilhões de déficit orçamentário.

iG – Por que isso ocorreu?
Richa –
Houve falta de zelo com as finanças do Estado, com a aplicação dos recursos sem observância da lei de responsabilidade fiscal. Por exemplo, na previdência, a parte que o governo tem de pagar para os servidores não foi repassada. Deixaram de ser pagas contas de água, luz e telefone, que somam uma dívida de R$ 102 milhões. Houve cerca de 300 convênios com prefeituras irregulares, pois não poderiam ter sido liberados durante o período eleitoral.

iG - o senhor pretende apoiar a reeleição do atual prefeito de Curitiba Luciano Ducci, do PSB?
Richa –
É muito cedo ainda para isso. Não podemos sofrer por antecipação. Há muito tempo para haver um entendimento. O importante é o grupo se manter unido. Isso fortalece muito se todos estiverem juntos em torno de uma mesma candidatura. Caso contrário, se houver uma divisão, eu não sei o que pode acontecer. Os esforços neste momento são para manter todos juntos: o PSDB, o PSB e vários outros partidos como o DEM, PPS e o PTB. Isso facilita a nossa eleição.

iG – O ex-deputado Gustavo Fruet, candidato ao Senado no ano passado, está saindo do PSDB. Como o senhor vê isso?
Richa –
Eu não tenho notícia de que ele está saindo do partido. Esta semana eu conversei com ele. Por sinal, ele participou dos programas de televisão do PSDB. Ele está ocupando boa parte dos programas, falando em nome do partido.

iG – O senhor pode apoiá-lo?
Richa –
Sem dúvida alguma. É uma excelente pessoa. Tanto ele quanto o Luciano ( Ducci ) nenhum dos dois me envergonham. Ao contrário. É um orgulho poder apoiar candidatos da qualidade dos dois: preparados, honestos, decentes. O Luciano me ajudou muito. Ele me apoiou e apoiou o Gustavo também na eleição do ano passado. O prefeito tem muitas qualidades. E o Gustavo da mesma forma. É muito competente. Temos dois excelentes nomes. Espero que o grupo possa caminhar junto nesta eleição ( de 2012 ). Agora a pretensão de ambos é legítima. Um busca a reeleição ( Ducci ); o outro tem todas as condições ( Fruet ). Cabe nós trabalharmos para esse entendimento. Meus esforços são nessa direção.

iG – Falando um pouco da política nacional. Como o senhor acha que deve ser a postura do PSDB para retornar à Presidência da República?
Richa –
Primeiro o partido precisa se encontrar. Ter uma certa unidade de ação e no discurso. É preciso entender o resultado das urnas no ano passado.

iG – O que o senhor achou do artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? É isso mesmo buscar a classe média?
Richa –
É isso mesmo. A classe média é a que decide uma eleição. É a classe média que dá a tendência. Mas é preciso entender quais são as aspirações populares. Precisamos estar o mais sintonizado possível caso contrário não seremos capazes de conquistar a confiança dos eleitores. Defender bandeiras que realmente interessam à população. Uma linha de atuação que seja mais próxima daquilo que os brasileiros esperam. É preciso fazer uma oposição construtiva.

iG – A oposição tem de ser menos agressiva?
Richa
– Essa coisa do quanto pior melhor eu sou contra. Na verdade, o PSDB nunca fez isso. Nós é que sofremos isso quando estávamos no poder.

iG – Nos últimos tempos, a oposição estava mais agressiva?
Richa –
É importante ter um ponto de equilíbrio. Temos de cobrar resultados, diretos e defender a sociedade. Agora é importante também apresentar alternativas, propostas. É isso que eu chamo de oposição construtiva. Não podemos ser nem tão frouxos nem tão agressivos. Precisamos nos aproximar mais da classe média, dos movimentos sociais e da juventude, por meio das universidades.

iG – Mas é possível esquecer o povão?
Richa –
Não acho que o Fernando Henrique quis dizer isso desta forma. Eu acho que a deficiência do PSDB está na classe média. No povão também. Precisamos, acima de tudo, saber fazer uma comunicação adequada. O PSDB não sabe muitas vezes que dizer o que quer. É preciso saber se defender dos ataques. Em 2006, não soubemos nos defender quando nos acusaram de privatistas. As privatizações foram boas para o País. Deram grandes resultados.

iG – O senhor acha que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pode ser melhor para verbalizar essas coisas?
Richa
– Acredito que pode ser sim. Até porque ele ainda não teve essa oportunidade. É um grande político. É um nome nacional.

iG – É o nome natural para 2014?
Richa –
É um grande nome. O PSDB tem grandes nomes para disputar a Presidência da República. Isso acaba sendo um privilégio. Que partido que tem tantos nomes para disputar? Sem dúvida alguma Aécio é um nome extraordinário.

iG – Serra pode ter mais uma chance?
Richa –
Pode. Está aí o exemplo do Lula que já disputou três vezes antes de ganhar. Mas lembramos que o Aécio é um nome novo.

iG – É importante renovar neste aspecto.
Richa –
É também. É duro dizer em eleição o que é o ideal.

iG – Mas pelas condições que foram criadas Aécio leva vantagem sobre o Serra?
Richa –
É cedo para dizer. Hoje Aécio leva vantagem ( sobre o Serra ). Mas vamos esperar ainda há tempo para isso. Vai disputar quem estiver em melhores condições.

iG – O senhor é favor da reeleição de Sérgio Guerra para presidência do PSDB?
Richa
– Não sei se o Serra tem essa intenção ( de disputar a presidência do PSDB ). Todas as vezes que ele esteve por aqui nunca me falou nada. Agora o Sérgio Guerra tem disposição, quer continuar. A bancada da Câmara apontou seu nome. Eu não tenho nada contra. É excelente. A relação comigo é extraordinária. Como no caso do Serra, a mesma coisa.

iG – O que o senhor achou da decisão do Tribunal de Justiça de determinar o pagamento da aposentadoria do ex-governador e hoje senador Roberto Requião (PMDB-PR)?
Richa
– Entramos com uma ação de novo e acho que deve cair. Eu me baseio, honestamente, no que me foi apresentado pela minha procuradoria. E já há casos de aposentadorias derrubadas no Supremo Tribunal Federal. Por isso vamos entrar com recurso ( contra a decisão do Tribunal de Justiça ) e derrubar a aposentadoria de novo. Hoje com toda a remuneração dele ( Roberto Requião ), salário, auxílio-moradia e os cargos que tem no Senado... Ainda por cima receber salário de ex-governador... Ele está com o salário muito, muito alto.

iG – Semana passada o senhor teve de responder críticas sobre a contratação de um ex-ator de filme erótico para o Instituto Ambiental do Paraná (Valter Pagliosa). Por que o senhor o contratou e depois o demitir?
Richa –
Veja bem isso foi um chefe de núcleo de uma região do Estado que foi indicado por um partido ( PPS ). Eu não conheço o rapaz, como eu não tenho condições de conhecer todos os que estão preenchendo os cargos de confiança. Fui ver a fundo e ele não era dos mais qualificados. Somado a isso, entendi por bem desligá-lo da equipe até porque ele estava ocupando um cargo de confiança. Achei uma quebra de confiança quando fui surpreendido ( com a notícia de que ele participou filme erótico ).

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