Prefeita da cidade fluminense foi cassada, o que levou a cidade a ter pleito fora de época

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Três pessoas foram detidas por prática de boca de urna neste domingo durante a realização das eleições para a prefeitura de Magé, no Grande Rio. O prefeito em exercício da cidade quase foi preso também. Em meio a uma campanha marcada pelo clima de vale-tudo, os eleitores foram convocados pela Justiça Eleitoral para eleger um novo governante após a ex-prefeita, Núbia Cozzolino, ter sido cassada por abuso de poder político e econômico na campanha de 2008.

Agência O Globo
Agente retira propaganda eleitoral de um veículo em um dos maiores pólos eleitorais da cidade de Magé

A família dela, no entanto, manteve o controle da cidade, já que seu irmão, Anderson Cozzolino, que era presidente da Câmara de Vereadores, assumiu a prefeitura interinamente. O prefeito foi ameaçado de prisão pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), desembargador Luiz Zveiter, por rondar o Colégio Estadual José Veríssimo, maior ponto de votação do município. 

Agentes da fiscalização suspeitaram do comportamento do prefeito, que apoia o candidato Werner Saraiva (PT do B). Mesmo depois de votar no local, onde também votou a ex-prefeita, Anderson Cozzolino voltou pelo menos quatro vezes ao colégio. Zveiter ordenou a retirada do prefeito do local e o juiz eleitoral Orlando Feitosa poderá ouvir testemunhas sobre eventual coação do prefeito.

Feitosa também determinou a interdição da rua que dá acesso ao ponto de votação devido à grande quantidade de carros com adesivos circulando e a farta distribuição de santinhos.

Entre os três detidos por prática de boca de urna está o chefe da Guarda Municipal de Magé, Renato Abreu, conhecido como Renatinho PM. Um eleitor foi detido por propaganda irregular no bairro de Suruí e um outro homem foi levado para o fórum por fazer propaganda com um carro de som, que foi apreendido.

Apesar dos incidentes, o presidente do TRE-RJ avaliou positivamente o pleito em curso na cidade neste domingo. "Tudo está ocorrendo dentro do previsto e os eventos isolados estão sendo imediatamente checados e reprimidos", avaliou Zveiter, segundo nota oficial divulgada pelo TRE-RJ.

Equipes da fiscalização da propaganda eleitoral, com apoio de homens da Polícia Rodoviária Federal, percorrem os 78 pontos de votação em todo o município para tentar proibir a propaganda irregular, marca de toda a tumultuada campanha. Ainda segundo o tribunal, na Rua Guarani, uma das vias principais do distrito de Piabetá, foram retiradas placas do candidato Werner Saraiva (PTdoB) instaladas irregularmente de madrugada.

A promotora Allana Alves Poubel e o juiz Feitosa também percorreram diversos pontos da cidade. Na Escola Municipal Raphael Cozzolino, eles pediram a retirada de um policial militar que conversava com o candidato Saraiva numa postura que consideraram inadequada. "O policial estava batendo papo com o candidato, com os braços debruçados no carro do político, em vez de fazer a segurança do local de votação", reclamou o magistrado.

Segundo o TRE-RJ, foram empregadas 459 urnas eletrônicas na votação. Apenas cinco precisaram ser substituídas por problemas técnicos.

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