Tratamento não deverá afetar uma das marcas de Lula, a barba

Pelos do rosto geralmente não caem, dizem especialistas. Saiba mais sobre o câncer de laringe no infográfico

Leoleli Camargo e Priscilla Borges |

O tratamento quimioterápico ao qual será submetido o ex-presidente Lula nas próximas semanas, para combater o câncer de laringe diagnosticado na manhã deste sábado (29), provavelmente não afetará uma das marcas mais distintivas do político: a barba. Segundo especialistas ouvidos pelo iG , a queda dos cabelos e pelos do corpo – um efeito colateral frequente da quimioterapia – depende do tipo de medicação usada e da forma como o corpo do paciente reage aos remédios.

Quer saber como agem a quimioterapia e a radioterapia? Leia o Pequeno dicionário dos tratamentos de câncer

“As opções de medicamentos usadas hoje no tratamento do câncer de laringe em geral não causam queda dos cabelos e menos ainda dos pelos do rosto, como sobrancelhas e barba. Os efeitos mais comuns desses medicamentos são um problema de pele conhecido como rash cutâneo e indisposição gastrointestinal” explica José Guilherme Vartanian, cirurgião oncológico especializado no tratamento de cânceres de cabeça e pescoço do Hospital AC Camargo, de São Paulo.

O câncer de laringe é um dos três tumores mais comuns da região da cabeça e do pescoço, com o câncer de boca e o de faringe. Quem fuma tem até 20 vezes mais chances de desenvolver esses três tipos de câncer do que quem não tem o hábito. Da mesma forma, quem consome álcool regularmente, tem 10 vezes mais risco de desenvolvê-los ao longo da vida. Segundo Vartanian, estudos já mostraram que se a pessoa fuma e bebe álcool regularmente, esses riscos se somam de uma forma extremamente nociva, aumentando em até 100 vezes as chances de desenvolver algum desses cânceres.

“Uma pessoa que recebe o diagnóstico de câncer de laringe deve parar imediatamente de fumar ou consumir álcool” diz Vartanian.

“Pacientes que permanecem fumando durante o tratamento não respondem bem ao tratamento e têm chances de cura menores do que quem para de fumar. O tabagismo tem efeito negativo sobre eficácia da radioterapia, o que já é comprovado cientificamente” afirma o oncologista Alessandro Leal, do Hospital Sírio Libanês de Brasília – ele não integra a equipe que atende o ex-presidente.

Quando descoberto precocemente, o câncer de laringe é plenamente tratável e curável. Tumores localizados e pequenos podem ser tratados somente com radioterapia ou com cirurgia isolada. Tumores um pouco maiores são tratados com quimioterapia, seguidos de cirurgia ou de radioterapia. Por fim, cânceres em estágio mais avançado exigem cirurgia e posteriormente radioterapia.

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Entre as possíveis sequelas do tratamento, estão problemas com a voz e com a deglutição (ato de engolir). Isso porque a radioterapia destrói o tumor, mas deixa no local uma espécie de tecido de cicatriz, chamado pelos médicos de fibrose. Dependendo da localização e da quantidade de fibrose que se forma, explica Vartanian, as cordas vocais podem perder parcial ou totalmente a sua função – que é produzir a voz e evitar que alimentos e líquidos cheguem até o pulmão.

“Quando a laringe é muito afetada, o paciente precisa fazer tratamento com fonoaudiólogo para recuperar a voz e também a capacidade de engolir sem engasgar”, explica Vartanian.

Segundo Leal, por conta de melhores técnicas de radioterapia, hoje é bem mais possível preservar a laringe e manter a deglutição e a função das cordas vocais.

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