'Todos querem mergulhar no botim de emenda', denuncia ex-deputado

Para ex-líder do governo Arnaldo Madeira, "até oposição foi contaminada pela discussão" sobre as verbas para os municípios

iG Brasília |

Deputado federal por quatro mandatos, Arnaldo Madeira (PSDB-SP) sempre foi um defensor da responsabilidade nos gastos públicos. Em 2007, quando voltou para Câmara após uma passagem de quatro na Casa Civil no governo de São Paulo, se deparou em Brasília com o “boom” das emendas parlamentares.

Foi um dos poucos (talvez, um dos únicos) a criticar o aumento exponencial das emendas individuais. “Mas ninguém ligou, nem a oposição. Nessas questões de Orçamento, oposicionistas e governistas se unem. Todo mundo quer mergulhar no botim”, disse em entrevista ao iG na terça-feira.

Líder do governo na Câmara no último de mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (2002), Madeira conseguiu evitar o crescimento do valor das emendas individuais durante a votação do Orçamento. “FHC pediu que a gente tentasse atender o que queria o futuro governo do Lula”, disse o tucano.

Por influência de Antonio Palocci (PT), que se tornaria ministro da Fazenda, o valor das emendas individuais não foi alterado para o exercício 2003. Ficou nos mesmos R$ 2 milhões do ano anterior. “O primeiro mandato do Lula foi rigoroso nos gastos públicos. A gastança ocorreu no segundo mandato, a partir de 2007", diz Madeira.

O tucano, que não se reelegeu no ano passado, afirmou que “até a oposição foi contaminada pela discussão sobre emendas”. “No Congresso, não se fala mais sobre grandes tema. É só sobre se liberou ou não emendas”, disse. “E oposição caiu nessa também. Oposição tem de fazer oposição”, completou.

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