"Todos ganharam muito dinheiro", diz Lula a empresários

Em encontro na Fiesp, o presidente disse duvidar que empresários reclamem do governo porque "todos ganharam muito dinheiro"

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

A cinco meses de terminar o seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira, na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na capital paulista, que duvida que haja no País algum empresário que diga que tem problema com o governo federal. “Todos ganharam muito dinheiro”. Lula se encontrou com o presidente de El Salvador, Maurício Funes, e discursou para uma plateia de empresários brasileiros e salvadorenhos.

No encontro, Funes afirmou que, assim como Lula, também foi visto com desconfiança pela classe empresarial do País e que usa o exemplo brasileiro para mostrar que pode fazer um bom governo em El Salvador.

Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente salvadorenho, Mauricio Funes, durante o Encontro Empresarial Brasil-El Salvador, na sede da Fiesp
Lula, que foi chamado pelo colega salvadorenho de “melhor líder do mundo” e recebeu afagos do presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch , brincou com a sua origem de operário e sindicalista. “Já vim mais para a Fiesp do que fui para a CUT, porque, certamente, santo de casa não faz milagre”, afirmou.

Durante todo o discurso, Lula tentou mostrar que o governo conseguiu eliminar as desconfianças em torno da sua administração e ressaltou o bom relacionamento que manteve com o empresariado.

Lula fez elogios a Antonio Delfim Neto, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento durante o regime militar, que o assistia na plateia, numa tentativa de mostrar que superou diferenças ideológicas como presidente.

Apontado hoje como um dos seus principais conselheiros, Lula disse que sempre criticava Delfim Netto por ser ele uma figura tão importante, “mais forte até que o presidente”, que achava que tudo era culpa dele. “Posso dizer que admiro Delfim Netto como uma das pessoas mais extraordinárias que esse país já teve”.

Lula relembrou o início do governo, quando a política econômica era alvo de críticas até do PT, ressaltando que Delfim Netto já dizia, por meio de artigos, que o país estava no caminho certo. “Ele poderia me esculhambar e dizer que um operário tinha mais é que voltar a comer marmita no bandejão”.

O petista exaltou os números da economia brasileira e disse que ao fim de seu governo pode estar com a consciência “mais tranquila do que qualquer passarinho dormindo na selva em El Salvador.” Na opinião dele, “o povo passou a gostar das coisas boas”.

Vizinhos

O presidente ressaltou a ampliação das relações com os países vizinhos, da América Latina e Central. Em tom de descontração, criticou os antecessores que só gostavam de viajar para Nova York, Paris, Londres e Miami “Eu fui o único presidente brasileiro a visitar todos os países da América Central”, disse o presidente, que citou também a ampliação do comércio com os países africanos.

Lula criticou a visão de que existe uma "guerra" no mundo globalizado, segundo a qual que vizinhos são inimigos comerciais. “Muitas vezes, foi vendido que o grande perigo para o México e para a América Central era o Brasil. Bonzinhos eram os Estados Unidos. E o brasileiro era um perigo danado. O Brasil virou o maior exportador de carne do mundo e o que falaram da carne brasileira... Se vissem um passarinho comendo carrapato em cima de um boi, ia virar investigação sanitária. Porque começamos a competir”, apostou.

O presidente brasileiro lamentou a paralisação das negociações da Rodada Doha, da OMC (Organização Mundial do Comércio), culpou os Estados Unidos pelo impasse, e exortou os países ricos a abrir os mercados para os países mais pobres.

Falando ao colega salvadorenho, afirmou que o Brasil, como um país grande, tem que ter mais responsabilidade em tudo “como o pai e a mãe dentro de casa”.

Em seu discurso, o presidente de El Salvador relatou uma conversa que teve com Lula e o presidente da Fiesp. Segundo ele, o empresário disse que Lula entrou no governo pela esquerda e estava saindo pelo centro, mas o petista corrigiu e disse que, na verdade, foram os empresários que entraram no seu governo como centro e saíam pela esquerda.

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