Tivemos cuidado de não tratar Obama como algo excepcional

'Também abandonaria o evento', diz Gilberto Carvalho sobre polêmica com ministros durante visita de presidente americano

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Auxiliar mais próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante oito anos, o atual ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) avaliou por que ele faltou ao encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realizado no último sábado.

"Conhecendo bem o Lula e o cuidado que ele tem de não fazer sombra para a presidenta Dilma Rousseff , eu achei que fosse muito natural que ele não viesse", disse. "Lula iria dividir os holofotes com a Dilma. Ele é extremamente cuidadoso nessa questão".

O ministro criticou o esquema de segurança de Obama que manteve o presidente norte-americano distante do Palácio do Planalto e que determinou a revista a ministros do governo Dilma que participaram de um evento com empresários em Brasília. "Fiquei sabendo pelos jornais. Mas é estranho, não é legal. Nosso cuidado todo com o Obama seria tratá-lo como presidente de um País importante, mas não tratá-lo como nada excepcional", afirmou

Leia os trechos:

iG: O presidente Lula tinha adiantado para o senhor que não viria ao encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama?
Carvalho:
Não. Agora já faz mais de uma semana que eu não falo. A última vez foi por telefone. Mas achei muito natural ( ele faltar ao encontro com Obama ). Conhecendo bem o Lula e o cuidado que ele tem de não fazer sombra para a presidenta Dilma, eu achei que fosse muito natural que ele não viesse. Porque se ele viesse, quer queira, quer não, seria um personagem forte. Uma coisa é o Fernando Henrique Cardoso ou o José Sarney. Outra coisa é o Lula, que deixou o governo agora e teve uma relação com Obama. Teve aquela história do “O Cara”. Teve a crise do Irã. Então, tem uma história de relação com o Obama diferente do Fernando Henrique. Quer queira, quer não, Lula iria dividir os holofotes com a Dilma. Ele é extremamente cuidadoso nessa questão.

iG: O senhor atuou para evitar os protestos de movimentos sociais na passagem do Obama? O senhor entrou nesse assunto?
Carvalho:
Não entrei. Nossa relação com os movimentos pega sempre no essencial. Nossa preocupação é que não houvesse nenhuma manifestação violenta. Mas a manifestação democrática não vejo nenhum problema. Eu acho até que o público ficou longe demais. Mas isso não foi exigência nossa. Quem botou o pessoal lá perto do Supremo Tribunal Federal não fomos nós. Foi a segurança norte-americana que pediu para limpar a praça ( dos Três Poderes ).

iG: Em evento em Brasília, a segurança dos EUA pediu que ministros fossem revistados. O senhor ficou sabendo disso?
Carvalho:
Não fiquei sabendo.

iG: Foi um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Eles abandonaram o local.
Carvalho:
Eu abandonaria também. Não acho que seja justo no seu próprio País.

iG: Alguém reclamou para o senhor?
Carvalho:
Fiquei sabendo pelos jornais. Mas é estranho, não é legal. Nosso cuidado todo com o Obama seria tratá-lo como presidente de um país importante, mas não tratá-lo como nada excepcional. Se você olhar todo ritual que houve com Obama, é exatamente o mesmo ritual que ocorre quando qualquer presidente vem ao País em visita de Estado. Acho que a presidenta Dilma teve uma postura muito altiva, forte. Quando houve divergência ela falou no meio da conversa sobre a Líbia dizendo: “Acho que a guerra não resolve. Não é caminho para paz”. Aliás, está se mostrando isso de novo com a morte de civis.

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