Testemunha liga publicitário do PSDB a desvios em estatal

Ex-presidente da Copasa diz que Eduardo Guedes, réu no mensalão mineiro, fazia repasses de recursos à SMP&B

iG São Paulo |

O ex-presidente da Companhia de Saneamento de Minas (Copasa) e ex-prefeito de Belo Horizonte Ruy José Vianna Lage envolveu Eduardo Guedes, que hoje é responsável pela produção de programas de televisão para o PSDB nacional, em desvios de dinheiro da estatal para o financiamento da campanha de reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB).

De acordo com informação publicada nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo , Lage, que é uma das testemunhas no caso que ficou conhecido como o mensalão mineiro, iria depor nesta semana na primeira audiência de instrução, que acabou sendo adiada pra o dia 24 de fevereiro.

Ruy Lage disse que, quando presidia a Copasa, recebeu ordem de repassar R$ 1,5 milhão para a agência SMP&B, do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, Cristiano de Melo Paz e Ramon Hollerbach Cardoso. A empresa é também peça-chave do escândalo do mensalão, que inaugurou em 2005 a maior crise política do governo Lula. 

"Eu sabia que era ilegal, porque a ASA ( agência de propaganda ) era licitada para fazer a propaganda da Copasa. Me neguei e pedi uma ordem por escrito. Recebi essa ordem do secretário de Comunicação e autorizei o repasse. Mas nunca foi feita nem uma camisa para divulgar a Copasa", afirmou Lage ao jornal.

Guedes, que foi secretário de Comunicação de Minas Gerais, negou hoje, por meio de seus advogados, que tenha ordenado que a Copasa repassasse recursos à SMP&B. Guedes é um dos réus no processo do mensalão mineiro.

Em e-mail encaminhado à reportagem, os advogados de Guedes, Roberto Henrique Couto Corrieri e Leandro Bemfica Rodrigues, afirmam que ele não tinha "poderes para ordenar" o repasse e deu apenas orientações a diretores de empresas mineiras.

Segundo os advogados, o então secretário de Comunicação, "atendendo à política de publicidade do Estado, ditada pelo governo, recomendou a algumas estatais - e não só à Copasa - que adquirissem cotas de patrocínio" do evento esportivo, do qual a SMPB tinha "direitos exclusivos".

Com informações da Agência Estado

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