Temer soma perdas e ganhos entre Planalto e PMDB

Vice-presidente da República se divide entre manter boa relação com o governo Dilma e atender exigências do seu partido

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Wilson Dias/Agência Brasil
Dilma cochicha com Temer, durante evento no Palácio do Planalto
Ao misturar a função de vice-presidente da República e principal interlocutor do PMDB dentro do governo, Michel Temer passa por desgastes e até brigas frequentes. Contudo, a função também lhe permite cada vez mais aumentar seu poder de liderança sobre a legenda.

“Temer é uma unanimidade incontestável”, diz Eliseu Padilha (RS), ex-ministro e atual presidente da Fundação Ulysses Guimarães. “Mas o pessoal joga muita pressão no Temer. O PMDB tem um varejo (de pedidos) muito grande”, afirma a deputada Rose de Freitas (ES), primeira vice-presidente da Câmara.

No governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Temer também exerceu forte liderança. Foi eleito presidente da Câmara com o apoio do presidente tucano duas vezes. Na época, o então senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) denominou-o “mordomo de filme terror”.

Com o PSDB na Presidência, PMDB e PFL (atual DEM) mediam forças no Congresso para conseguir espaços de poder no governo. Se ACM quase sempre batia de frente com todos, Temer agia nos bastidores, de forma discreta. Isso irritava o cacique baiano.

No governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), Temer teve duas fases. No primeiro mandato, integrou o grupo oposicionista do PMDB e teve pouco espaço. A partir de 2007, costurou um acordo com o PT para comandar a Câmara entre 2009 e 2010.

A oportunidade credenciou-o dentro e fora do PMDB para que fosse confirmado o candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff (PT) em 2010. Durante a campanha, não fez questão de integrar a equipe de coordenação de imediato, mas aos poucos foi ganhando espaço.

Confirmada a vitória nas urnas, Temer virou imediatamente principal ouvinte de pedidos de cargos no PMDB. Ainda em janeiro, teve de administrar a briga do partido por cargos em segundo escalão. E convence os colegas a aceitar perdas, como a presidência de Furnas.

Agência Câmara
Deputado Danilo Forte (PMDB-CE)
Reforma ministerial frustrada

Ao longo do ano, sobretudo a bancada do PMDB na Câmara, passou a fazer cobranças. “Temer sempre soube ouvir a todos. Foi um fiel defensor da governabilidade mesmo nos momentos difíceis”, afirma o deputado Danilo Forte (PMDB-CE).

Forte diz, porém, que a bancada ficou frustrada com o resultado da reforma ministerial. O PMDB só manteve as pastas que já detinha. “A gente esperava que houvesse uma mudança na reforma ministerial, mas o PMDB continuou do mesmo tamanho”, completa.

Integrante da chamada ala formada por deputados em primeiro mandato, Danilo Forte tem uma posição radical sobre a postura do PMDB. “Nós deveríamos entregar todos os cargos de segundo escalão e adotar uma postura mais independente”, diz.

Essa não é a posição majoritária do partido. Muito menos a do líder da bancada na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Há duas semanas, ele perdeu um indicado para a direção-geral do Departamento de Obras Contra as Secas (Dnocs).

Eduardo Alves protestou duramente contra a demissão do aliado. De novo, Temer teve de intervir para acalmar os ânimos e garantir que o líder poderia indicar um novo nome para a mesma função. Alves já disse que vai escolher alguém do PMDB do Rio Grande do Norte, o seu Estado.

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