Valor do mínimo, cargos no segundo escalão, cadeira na coordenação do governo e presidência no Congresso são temas de atrito

O vice-presidente da República, Michel Temer , negou nesta quinta-feira que haja qualquer constrangimento na relação do PMDB com o governo de Dilma Rousseff nesta primeira semana de mandato. "Não há nenhum constrangimento. Nós temos um diálogo muito franco já durante a transição. Essas coisas dependem de ajustes e de diálogo. Não há desgaste nenhum", afirmou. As declarações foram dadas hoje no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, onde foi recebido com honras de chefe de Estado pelo governador Geraldo Alckmin .

O vice negou que o PMDB esteja usando a discussão sobre o valor do salário mínimo para conseguir cargos no segundo escalão do governo. "São duas coisas distintas", disse. Segundo ele, é natural seu partido ter defendido um mínimo de R$ 560, R$ 20 a mais do que o proposto pelo governo.

"O PMDB e demais partidos querem dar o maior mínimo possível para os trabalhadores. Os partidos querem verificar se há alguma possibilidade de aumento nessa proposta inaugural de R$ 540", disse. Temer, no entanto, voltou a ressaltar que a legenda não vai se opor ao governo. "O PMDB vai acompanhar o que for compatível com as possibilidades do Tesouro", garantiu.

Michel Temer é recebido por Claudia Matarazzo, do cerimonial do Palácio dos Bandeirantes, em SP
Futura Press
Michel Temer é recebido por Claudia Matarazzo, do cerimonial do Palácio dos Bandeirantes, em SP

Outra reivindicação dos peemedebistas é uma cadeira na coodernação do governo Dilma. "Eu participei da primeira reunião como vice-presidente. Mas o PMDB e os demais partidos ponderaram que deveria haver um ou dois ministros de outro partido da coalização. Qualquer um dos seis ministros do PMDB poderia ocupar essa posição", defendeu.

Sobre a presidência da Câmara, admitiu que novos candidatos possam aparecer na disputa pelo cargo, mas afirmou que o PMDB respeitará o documento firmado com o PT em que as siglas se comprometem a se revezar na Casa. "É natural que haja as mais variadas especulações. E se houver candidatos, são candidaturas legítimas. Daí é conversar, discutir, e os candidatos irem atrás de voto", disse. Em seguida, reforçou que, "no tocante ao PMDB, vale o documento".

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