Temer monta plano para entregar PMDB paulistano a Chalita

Em reunião amanhã, partidodeve criar comissão provisória a ser presidida pelo deputado, que deixa o PSB neste fim de semana

Nara Alves, iG São Paulo |

O vice-presidente Michel Temer , presidente licenciado do PMDB, planeja uma intervenção no diretório paulistano para ceder o controle do partido ao deputado federal Gabriel Chalita (PSB-SP). O parlamentar deixa o PSB e se filia neste sábado (4) ao PMDB, em uma festa que promete reunir 6 mil pessoas na Assembleia Legislativa de São Paulo.

AE
Chalita marcou filiação para este fim de semana
Para entregar o comando da sigla na capital paulista a Chalita, Temer pediu a dissolução do diretório atual, presidido pelo secretário municipal de Esportes, Bebetto Haddad, ligado ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. A manobra é necessária porque o estatuto da legenda prevê que um filiado possa presidir uma instância da sigla somente após seis meses de filiação. A saída, então, é dissolver o diretório e nomear uma comissão provisória. Para isso, no entanto, mais da metade dos membros deve renunciar.

Em reunião marcada para a noite de quinta-feira, Bebetto e Chalita tentarão convencer os membros a assinarem a carta de solução, renunciando a seus próprios mandatos para que a comissão provisória possa ser criada. A presença de Temer ainda não foi confirmada – a crise em torno do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci (PT), pode impedi-lo de participar da reunião na capital paulista.

Na reunião de amanhã, Chalita poderá enfrentar resistências da ala kassabista do PMDB, que se opõe à ideia de ter um novato à frente da legenda paulistana. O presidente municipal da legenda lembra que a dissolução não foi feita em prol do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recém-filiado ao PMDB, nem por Kassab quando ele quis entrar no partido. Bebetto afirma, contudo, que apoiará a decisão de Temer e trabalhará pela candidatura de Chalita em 2012.

Eleições

Além do controle do diretório paulistano, faz parte do pacote oferecido porTemer a Chalita a promessa de que será cabeça de chapa nas eleições de 2012. Para isso, o deputado aceitou deixar o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, após menos de dois anos. Antes, filiado ao PSDB, Chalita ocupou o cargo de secretário de Educação na primeira gestão do tucano Geraldo Alckmin à frente do governo de São Paulo.

No PSDB, tucanos se dividem entre os que dizem temer o potencial de Chalita nas urnas – ele foi eleito com 560 mil votos – e os que acreditam que o desempenho de 2010 não irá refletir na eleição majoritária do ano que vem. De qualquer forma, a candidatura do ex-tucano é vista no PSDB como linha auxiliar do PT.

Tucanos duvidam ainda da possibilidade de o PMDB aceitar a vaga de vice numa eventual chapa petista. Para um integrante da direção nacional do PSDB, não seria proveitoso para o PMDB deixar de aproveitar a eleição do ano que vem para ganhar projeção. Na vice, o partido ficaria no mesmo patamar em que está atualmente - o PMDB tem hoje a vice-prefeitura em São Paulo, cargo ocupado por Alda Marco Antonio.

No PT, a senadora Marta Suplicy, pré-candidata à prefeitura da capital paulista, corteja o deputado há meses. Ela é presença confirmada na festa de filiação no sábado. Os dois estiveram juntos durante a filiação de Skaf ao PMDB em Brasília e já conversaram mais de uma vez sobre a possibilidade de formação de uma eventual chapa para 2012. O PT conta com uma aliança com PMDB, mesmo que informal, para aumentar seu tempo na televisão para fazer frente à hegemonia tucana em São Paulo, principalmente se o candidato for o ex-governador José Serra.

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