Temer: Experiência habilita Meirelles para ocupar qualquer cargo

Vice-presidente afirmou que PMDB aprovará a decisão da escolha de Palocci para Casa Civil e permanência de Meirelles para o BC

Agência Brasil |

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, pode ocupar qualquer cargo no País, especialmente na área econômica, porque está habilitado para isso. Sua experiência no passado e sua atuação no presente deu muita tranquilidade ao mercado e ao setor financeiro do Brasil. A afirmação foi feita pelo presidente da Câmara dos Deputados e vice-presidente da República eleito, Michel Temer (PMDB-SP), durante entrevista coletiva na capital argentina. Ele participa, em Buenos Aires, de um encontro de parlamentares ibero-americanos.

Futurapress
O vice-presidente Michel Temer (PMDB)
Se Henrique Meirelles for convidado pela presidenta eleita, Dilma Rousseff, para continuar no governo, o PMDB aplaudirá essa decisão, disse Temer. Segundo ele, a atuação de Meirelles no BC foi primorosa e, se ele for aproveitado na área econômica, ajudará muito o governo. "Não tenho a menor dúvida disso. O PMDB não sugeriu a permanência de Meirelles – isso nós vamos ver numa segunda etapa. No momento, estamos vendo a composição do governo."

Sobre as sugestões para que o deputado Antonio Palocci (PT-SP) seja indicado para a Casa Civil da Presidência, Temer afirmou que o ex-ministro tem uma capacidade extraordinária de agregação e ocuparia o cargo com muita competência e tranquilidade. "Palocci tem experiência também na área econômica e é um bom administrador", acrescentou.

Perguntado se o retorno de Palocci poderia prejudicar o governo, por ter sido acusado de envolvimento na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, Temer destacou que o ex-ministro foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. "Uma pessoa não pode ser apenada (condenada) pelo resto da vida, especialmente no Estado de Direito, se já cumpriu o rito institucional e foi absolvida pelo órgão que poderia julgá-lo."

Temer disse que cumprirá o seu papel constitucional como vice-presidente da República porque é um legalista - cumpre o que a Constituição determina. Ele explicou que, constitucionalmente, o papel do vice-presidente pode ser interpretado como "decorativo", mas ressaltou que, politicamente, não tem sido assim.

"Ele (o vice) pode ser atuante nos bastidores. Os vice-presidentes que atuaram no passado tiveram a sua presença. José Alencar fazia pregações contra os juros altos. Alguém pode até dizer que isso não tem significado, mas tem. O vice, falando dos juros altos, incentiva a sua redução, como acabou acontecendo ao longo do tempo. Eu disse à presidenta eleita, Dilma Rousseff: "quero ser um vice-presidente modesto de uma presidenta forte."

O deputado destacou, porém, que sua atuação como vice dependerá da solictação que a presidenta eleita fizer. "Não sou espaçoso. Institucionalmente, dependerei sempre de um chamamento, e acho que isso pode ocorrer. Coordenar a equipe de transição já é um sinal de participação, mas tudo vai depender da presidenta eleita."

Ele disse que, se for necessário, adiará o recesso da Câmara para que o Orçamento de 2011 seja votado. Para ele, é importante que o novo governo já comece com o orçamento aprovado, porque, se isso não for feito, podem ocorrer "embates" orçamentários logo no início do governo. "Acho que dará tempo de votar o Orçamento. Temos 12 medidas provisórias trancando a pauta da Câmara, mas trabalharemos até o dia 22 de dezembro. "

Ele informou que renunciará à presidência da Câmara no dia 15 de dezembro, para ser diplomado como vice-presidente da República no dia 17. "Só não renuncio agora porque teria que haver uma nova eleição".

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