Temer avança sobre PMDB de SP e aproxima Kassab de campo dilmista

Com o afastamento de Quércia, vice-presidente eleito converte PMDB paulista e atrai prefeito para a base governista

Nara Alves e Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Com a saída de cena do ex-governador e atual presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia, que se afastou da vida política para tratar um câncer, o presidente nacional do partido e vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), conquistou de vez o apoio da legenda no Estado.

Hélvio Romero/ AE
O vice-presidente eleito, Michel Temer
Durante a campanha presidencial, Temer converteu lideranças que se aliaram ao PSDB e os fez assinar um manifesto de apoio à candidatura da presidenta eleita, Dilma Rousseff . Entre eles, os deputados estaduais Jorge Caruso (vice-presidente do PMDB-SP), Uebe Rezek e Baleia Rossi, e os federais Paulo Lima e Francisco Rossi. Agora, está prestes a concretizar a transferência do prefeito Gilberto Kassab, que deve deixar o DEM até o início de 2011 rumo ao PMDB.

Quércia segue como presidente estadual, mas, por causa da doença, está afastado das decisões do partido – inclusive nas negociações para cobrar a fatura pelo apoio dado na campanha ao governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) na montagem do futuro governo. Um dos poucos apoiadores ainda fiéis ao presidente estadual da legenda no Estado é o prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri (PMDB), apontado como herdeiro político de Quércia.

Na próxima semana, a bancada do partido no Estado deve se reunir para definir de que forma o comando em São Paulo será restabelecido. Até o momento, lideranças do partido afirmam estar com as mãos amarradas por conta da situação. Dizem que se sentem constrangidos em tomar decisões enquanto o presidente do partido no Estado está tratando da doença. A expectativa é que Quércia se licencie do cargo.

Além do afastamento de Quércia, a migração de Kassab também é motivo de apreensão. Isso porque não se sabe ao certo quantos deputados e prefeitos o acompanharão na decisão de migrar para o PMDB. Há a expectativa de aprovação da chamada “janela”, que permitiria a parlamentares mudarem do partido em que exercem mandatos um ano antes de concorrer às eleições. Hoje, a lei eleitoral define que o mandato pertence ao partido, o que impediria que deputados federais que apoiam Kassab o seguissem para o PMDB.

Caso a “janela” não seja aprovada, Kassab e os parlamentares do DEM podem negociar internamente suas próprias expulsões. Assim, evita-se que o Ministério Público Eleitoral entre com um processo de perda de mandato do prefeito e dos deputados. Segundo interlocutores de Kassab, essa hipótese já foi ventilada com o presidente nacional da legenda, Rodrigo Maia.

De qualquer maneira, Kassab pode contar com o voto dos seis deputados federais do DEM eleitos por São Paulo com sua ajuda - além dos oito estaduais - ampliando a bancada governista de apoio à presidenta Dilma. O PMDB poderia, assim, contar com 85 deputados eleitos na Câmara a partir de 2011 – o PT tem hoje ainda a maior bancada, com 88 deputados.

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