Tasso critica governo em discurso de despedida do Senado

"Para mim, e acredito que para muitos milhões de brasileiros, Lula foi uma decepção em vários sentidos", criticou tucano

Gabriel Costa, iG Brasília |

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) fez hoje no plenário do Senado Federal seu discurso de despedida da Casa. O tucano não poupou críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, embora tenha elogiado a atuação individual de nomes da administração atual, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e a senadora Marina Silva, do PV.

"Do alto de sua incontestável popularidade, Lula poderia ter sido um grande estadista, ter feito as reformas de que o Brasil precisava: a política, a tributária, a trabalhista", disse o senador, para em seguida completar que o presidente "preferiu seguir o caminho fácil do poder pelo poder".

Ao falar sobre seu trabalho no Senado ao longo dos últimos oito anos, Tasso destacou o debate sobre a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira ( CPMF ), cuja possibilidade de recriação classificou como "estelionato eleitoral".

"O governo não quis reconhecer que a carga tributária estava crescendo muito. No governo Fernando Henrique, foi em média de 30,2% do PIB; e no governo Lula foi mais de 34% do PIB", afirmou. "Até hoje, a reforma tributária não avançou, fruto da intransigência de uns, da falta de visão de outros, mas, acima de tudo, da absoluta falta de vontade do governo."

Já entre os nomes que elogiou, o tucano mencionou o coordenador da transição de governo e futuro ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, "o grande fiador da economia dos primeiros anos do governo Lula", segundo ele. Completando a seleta lista, Tasso citou o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Patrus Ananias pela continuidade e ampliação de programas de transferência de renda do governo FHC.

Trajetória
O senador iniciou sua fala com referências à primeira vez em que subiu à tribuna como senador, em 2003. "Lembro-me claramente da particular emoção de estar assumindo a cadeira que, quatro décadas antes, fora do meu pai, Carlos Jereissati", afirmou o tucano. "Havia uma enorme esperança de o Brasil continuar avançando, modernizando-se, promovendo as reformas necessárias, tanto na legislação, quanto nas práticas políticas."

Tasso mencionou sua atuação, ao lado do então senador pelo DEM da Bahia Antonio Carlos Magalhães, na Comissão de Desenvolvimento Regional, pela criação das novas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). "Para nosso total desencanto, no entanto, ao sancionar a lei, o presidente vetou itens fundamentais para que os objetivos dos projetos fossem cumpridos", voltou a atacar.

O tucano destacou ainda sua participação na nova Lei de Falências, na chamada MP do Bem - a Medida Provisória 252, que estabelece incentivos fiscais - e na Lei da Biossegurança, para a qual apresentou emenda para permitir pesquisas com células-tronco com fins terapêuticos.

Ao longo de seu mandato no Senado, Tasso esteve entre os principais nomes da oposição. No pleito 2010, o senador não conseguiu a reeleição no Ceará ao perder nas urnas para Eunício de Oliveira, do PMDB, e José Pimentel, do PT.

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