Sucessão em Fortaleza racha PSB e ameaça aliança com PT

Enquanto Cid Gomes trabalha para lançar secretário petista, comando da sigla prega candidatura própria

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

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Cid Gomes trabalha para emplacar nome de secretário de Cidades e preservar aliança com o PT
As primeiras articulações para a sucessão municipal em Fortaleza acentuaram o racha no PSB do Ceará. De um lado, o presidente municipal da sigla, Sérgio Novais, defende candidatura própria. Do outro, para não arriscar a aliança que o elegeu, o presidente estadual do partido e governador do Estado, Cid Gomes, lançou seu secretário de Cidades, Camilo Santana (PT).

A briga interna do PSB não começou agora, mas se acirrou nos últimos meses. A ala histórica, que fundou o partido no Estado e à qual pertence o presidente municipal, se estranha com o grupo liderado pela família Gomes desde que os irmãos Cid e Ciro aportaram no partido, em 2005. Agora, com as divergências sobre quem vai suceder à prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), os ânimos se acirraram.

A parceria entre PSB e PT no Ceará começou em 2004, quando os socialistas apoiaram a candidatura desacreditada da petista. Na época, boa parte do partido - incluindo a direção nacional - aportou na candidatura derrotada de Inácio Arruda (PCdoB). Em 2008, as bodas foram renovadas com a reeleição da prefeita. Nesse meio tempo, em 2006, o PSB se beneficiou com a vitória do governador Cid Gomes e, em 2010, com sua reeleição folgada logo no primeiro turno – sempre com o apoio do PT.

Cid Gomes já disse que deseja a manutenção da aliança que, inclusive, garante maioria folgada na Assembleia Legislativa. Por isso, adiantou-se e endossou o nome de seu secretário Camilo Santana para concorrer à prefeitura. Como ele tem a predileção do governador e o apoio de uma parte do PT, esta seria a candidatura mais consensual apresentada até agora. O problema é que Cid não combinou antes com a direção municipal do PSB e nem mesmo com Luizianne. O PT, a propósito, tem mais quatro nomes cotados para suceder a prefeita.

No início de junho, foi a vez de Sérgio Novais lançar a pré-candidatura de sua irmã, a deputada Eliane Novais. Os dois falam em manter a aliança, mas com o PSB encabeçando a chapa e PT como vice, desta vez. O grupo ligado a Cid não gostou e reuniu o diretório municipal para anular a ata da reunião que havia “definido” a pré-candidatura. Eliane se disse vítima de perseguição e atribuiu aos Ferreira Gomes a “anulação política” da ata.

Sérgio Novais afirmou que deseja dar continuidade ao “projeto” tocado atualmente por Luizianne Lins, enquanto os cidistas teriam intenções meramente eleitorais. “São origens diferentes. Nós sempre tivemos divergências”, disse referindo-se aos irmãos Cid e Ciro Gomes.

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Sucessão da prefeita Luizianne Lins ameaça rachar aliança entre petistas e socialistas
Ciro, a propósito, declarou que gostaria de voltar a ser prefeito da capital cearense e fez duras críticas à administração municipal, afirmando inclusive que “Fortaleza não aguenta mais tanto descalabro” . Para Novais, esse tipo de declaração demonstra a falta de afinidade que existe com a atual gestão. “O objetivo de Ciro não é eleger o partido, mas sim derrotar o projeto de Luizianne”, disse à reportagem do iG . Santana e Luizianne pertencem a grupos diferentes dentro do PT.

Além de Camilo Santana, com a predileção de Cid, o PT tem como pré-candidatos o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Acrísio Sena, e o deputado federal Artur Bruno. O nome do senador José Pimentel também é um dos cotados, apesar de interlocutores do PT afirmarem que não há disposição da parte dele para tanto.

Oposição

Enfraquecido no Ceará com a derrota de Tasso Jereissati na disputa para o Senado Federal e a perda de filiados para outras siglas, o PSDB tem nas eleições a oportunidade de se manter vivo no cenário político cearense. O presidente estadual da sigla, Marcos Cals, anunciou quatro nomes que disputam para concorrer à prefeitura da capital. Ele é um dos pré-candidatos, além do presidente do PSDB em Fortaleza, Pedro Fiúza, do deputado estadual Fernando Hugo e do empresário Maia Júnior.

Já o PDT conta com o nome da ex-senadora Patrícia Sabóia, hoje deputada estadual, como crítica ferrenha da administração de Luizianne – ela é ex-mulher de Ciro Gomes. O deputado Heitor Férrer também está cotado, mas encontra resistência por parte do presidente estadual, deputado federal André Figueiredo.

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