Cotado para presidência do Conselho de Ética, Vital do Rêgo deixa claro que se assumir cargo será por determinação partidária

O Supremo Tribunal Federal (STF) comunicou nesta segunda-feira ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que não poderá dar acesso a pontos do inquérito da Operação Monte Carlo , que trata do envolvimento de parlamentares no esquema comandado pelo empresário de jogos de azar, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, por se tratar de assunto sigiloso, protegido por lei.

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AE
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A informação é do corregedor-geral do Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PR), que se reuniu nesta segunda-feira com Sarney e o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros, para tratar da indicação do presidente do Conselho de Ética , que vai avaliar a abertura de processo contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), um dos suspeitos de envolvimento com Cachoeira .

O atual vice-presidente do Conselho, senador Jaime Campos (DEM-MT), alegou que se sente impedido de assumir a presidência do órgão para julgar Demóstenes, por se tratar de um ex-colega de partido.

Vital disse ter sido convidado por Renan para assumir a presidência do Conselho, mas antes quer ver se pode permanecer na corregedoria. Segundo a Agência Brasil, ele deixou claro, em entrevista, que se vier a assumir a presidência do conselho não será por vontade própria mas por uma determinação partidária.

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"Para que eu possa renunciar ou me afastar da corregedoria teria que ter um corregedor substituto. São dificuldades que poderemos resolver até amanhã", disse Vital do Rêgo. Ele acrescentou que, na qualidade de corregedor - membro nato do Conselho de Ética - teria a prerrogativa de questionar o senador Demóstenes Torres sobre as denúncias que o envolvem no esquema de corrupção comandado por Carlinhos Cachoeira. Isso, acrescentou o parlamentar, gera um conflito com o papel de presidente do conselho que é de arbitrar as reuniões.

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Vital do Rêgo disse, ainda, que durante a reunião foram levantados os nomes dos senadores Waldemir Moka (PMDB-MS), Cassildo Maldaner (PMDB-SC), Luiz Henrique (PMDB-SC) e Vicentinho Alves (PR-TO). Como não integra o conselho, o senador Vital do Rêgo teria que ter seu nome indicado pela liderança do partido nas vagas que ainda não foram preenchidas pelo PMDB.

O peemedebista ressaltou que, de qualquer forma, não haverá qualquer atraso na eleição do presidente do conselho marcada para amanhã à tarde. "Amanhã, por responsabilidade do PMDB e para não incorrer em qualquer avaliação de culpa de que o processo está sendo travado por indecisão nossa, nós ressaltamos na reunião de hoje que não haverá qualquer solução de continuidade com os horários [marcados para reunião] do Conselho de Ética", disse o peemedebista.

Quanto a decisão do STF de negar acesso a informações do inquérito da Operação Monte Carlo, Vital do Rego disse que a mensagem será lida hoje à tarde em plenário.

Com Agência Estado e Agência Brasil

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