'Sou vítima de um tribunal de exceção', diz Orlando Silva

Ao chegar à Casa na tarde desta terça-feira, ministro do Esporte foi recebido por aliados com gritos 'Sou Orlando, sou Brasil'

iG São Paulo e iG Brasília |

O ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou hoje em audiência em duas comissões da Câmara ser vítima de um "tribunal de exceção" pelas acusações que vem sofrendo nos últimos dias . Na fala, ele procurou desqualificar o autor da denúncia, o policial João Dias Ferreira, e reclamou da repercussão do caso na imprensa. 

Agência Brasil
Ministro prestou depoimento nesta terça-feira
"Considero muito grave algumas afirmações, de que não importa a apuração, não importa o processo, o que importa é que há uma denúncia. Lembrei do tribunal de Nuremberg, do dito brasileiro: 'às favas os escrúpulos'. Isso é um tribunal de exceção. Acusar alguém e não provar, acusar alguém sem o devido processo é fazer um tribunal de exceção. Isso tangencia para o fascismo", disse o ministro.

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O ministro, que chegou à Câmara com aproximadamente meia hora de atraso, foi recepcionado na porta por integrantes da bancada do PCdoB. "Sou Orlando, sou Brasil", gritavam os colegas de partido do ministro do Esporte.

Ele voltou a manifestar sua inocência diante das acusações de João Dias de que recebera propina de contratos celebrados no âmbito do programa Segundo Tempo. "É uma narrativa falsa, fundada em mentiras, fundada em inverdades."

O ministro reiterou também as acusações contra o policial militar. "Quem faz a agressão trata-se de um desqualificado, de um criminoso, de pessoa que foi presa, é uma fonte bandida". Ele lembrou que foi o Ministério que detectou irregularidades nos dois convênios firmados com entidades de João Dias. Observou que há uma tomada de contas especial no Tribunal de Contas da União (TCU) contra o policial e uma ação penal, que, segundo Orlando Silva, poderia estar perto do final.

Ressaltou que João Dias não apresentou ainda provas das acusações. "Até aqui esse desqualificado falou e não provou. Não provou porque não tem provas. Quem tem provas do malfeito sou eu e estão aqui. Foi tudo encaminhado ao TCU". Orlando Silva destacou as ações que tomou para pedir investigação. Aproveitou ainda para fazer uma longa defesa de sua gestão à frente da pasta. Enfatizou ainda a decisão do Ministério de não firmar mais contratos com ONGs no âmbito do programa Segundo Tempo.

O ministro rechaçou ainda a acusação de que o programa Segundo Tempo teria sido usado para fazer caixa para o PC do B, seu partido. Classificou a acusação como "falácia" e afirmou que o objetivo dessas acusações é atacar todas as instituições partidárias. A exposição do ministro durou cerca de meia hora.Em reportagem da revista Veja desta semana, o policial militar João Dias Ferreira disse que o ministro integra um esquema de desvio de dinheiro do Programa Segundo Tempo . Pelo programa, há a distribuição de recursos a organizações não governamentais com o objetivo de motivar jovens à prática de atividades esportivas.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), confirmou que Silva deverá retornar ao Congresso para prestar esclarecimentos no Senado. Foram apresentados requerimentos nas nas comissões de Educação e de Fiscalização e Controle.

“Delegacia de polícia, não. O ministro vai explicar ( no Congresso ) o que ocorreu. Se houver algo para ser investigado, quem vai cuidar é a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União. Não vai ser a delegacia do Senado”, disse Jucá.

No entanto, a oposição promete levar adiante a decisão de investigar as informações contidas na reportagem da revista. O líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), apresentou requerimento e protocolou representação na Procuradoria-Geral da República para que sejam apuradas as responsabilidades cíveis, administrativas e penais do ministro e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, ex-ministro do Esporte, nas denúncias de desvio de verbas.

*Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil

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