Sobrinho diz que vai respeitar Justiça no caso de suposta filha

Cremação dificulta o processo de reconhecimento de paternidade, movido pela suposta filha de Alencar, Rosemary de Moraes

Denise Motta, iG Minas, e Nara Alves, enviada especial |

O sobrinho de José Alencar Rodrigo Guarçoni afirmou que a família irá respeitar decisão judicial referente ao processo de reconhecimento de paternidade movido pela professora aposentada Rosemary de Moraes, 56 anos. Natural de Caratinga, a 295 quilômetros de Belo Horizonte, Rosemary move ação pelo reconhecimento da paternidade desde 2001. "A família trata o assunto no campo legal. A família vai acatar o que for determinado pela Justiça", disse.

Guarçoni afirmou ainda que o corpo será cremado "em respeito à vontade do vice-presidente". Ele disse, no entanto, que o destino das cinzas ainda não foi discutido pela família. "Ele foi batizado e registrado em um distrito de Muriaé, onde ele nasceu, mas isso ainda não foi decidido", afirmou.

A professora aposentada Rosemary de Moraes, que move ação judicial para ser reconhecida como filha do ex-vice-presidente, decidiu hoje não comparecer ao velório dele, no Palácio da Liberdade, no centro de Belo Horizonte, para evitar "constrangimentos". "Ela até iria comparecer, mas, de última hora, decidiu não vir. Ela ficou constrangida", afirmou o advogado de Rosemary, Geraldo Jordan. De acordo com Jordan, a professora aposentada ficou "magoada" pela decisão da família de Alencar de cremar o corpo, o que, segundo ela, dificultaria a realização de um exame de DNA.

"Ela sentiu-se agredida", afirmou. O advogado de Rosemary disse que, até ontem, ela estava decidida a comparecer ao velório acompanhada do marido e dele. A ideia seria sair de Caratinga, no Vale do Rio Doce (MG), e pegar a fila com os populares no palácio. Conforme Jordan, a professora disse que estava muito abalada. "Ela estava chorando muito."

No ano passado, o juiz José Antônio de Oliveira Cordeiro, da Vara Cível de Caratinga, concedeu a ela o reconhecimento de paternidade por parte de Alencar. A mãe dela, Francisca Nicolino de Morais, Dona Tita, falecida no ano passado, mudou-se para Caratinga quando tinha 23 anos.

Em meados de 1953, Francisca, conhecida como Dona Tita, teria conhecido José Alencar no Clube Municipal de Caratinga e os dois teriam iniciado um romance. O ex-vice-presidente, na época conhecido como "Zé 55", era comerciante do setor de tecidos. Em agosto de 1954, nasceu Rosemary, que seria fruto da relação dos dois.

A mãe de Rosemary resolveu se casar com Magmar Pinto Neves, que assumiu o bebê e o registrou como legítimo. Isso porque Alencar teria se recusado a assumir a paternidade. Quando Dona Tita e Magmar se separaram, no final da década de 1990, ela resolveu contar a história à filha. Rosemary resolveu procurar o suposto pai verdadeiro. Para isso, ela deixou de ser reconhecida como filha legítima de Magmar, que não comenta o caso.

Um encontro entre a suposta filha e Alencar teria acontecido em 1998, quando o então candidato a senador esteve em Caratinga. Conforme relato de Rosemary, na ocasião, o ex-vice-presidente comprometeu-se a procurá-la. Ela esperou até 2001, quando decidiu acionar a Justiça, na tentativa de ser reconhecida como filha legítima.

Com Agência Estado

    Leia tudo sobre: jose alencarvelóriofilha

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG